Resenha de O Clube dos Oito – Daniel Handler

Clube dos Oito era apenas um grupo de melhores amigos formado por jovens bem educados e que gostavam de jantares chiques. Até o dia em que Flannery Culp, considerada a líder do clube, se tornou uma assassina. Considerada culpada pelo crime, a garota aproveita o tempo na prisão para editar o diário que manteve ao longo daquele ano e, enfim, contar a verdade sobre o assassinato.

Eu já conhecia o trabalho de Daniel Handler em Por isso a gente acabou e nas séries Só perguntas erradas Desventuras em série, que ele assina sob o pseudônimo de Lemony Snicket. E foi por sempre ser surpreendida de alguma forma pela obra do autor que criei altas expectativas em relação a O Clube dos Oito, o que acabou transformando o livro em uma das maiores decepções de 2018.

Para mim, o primeiro grande problema da trama é a falta de ritmo. Sabemos que Flannery se tornou uma assassina, e não demora para descobrirmos quem foi o assassinado. Mas é claro que queremos saber como tudo aconteceu, e isso já é o suficiente para prender a atenção do leitor. No entanto, talvez por ser em formato de diário, o livro retrata muitas situações que, na minha opinião, são repetitivas e, portanto, desnecessárias. O resultado? Uma história cansativa e que quase perde o propósito.

Nenhum dos personagens parece real, tampouco é carismático. E isso não seria necessariamente um problema, já que Daniel Handler adora criar personagens peculiares. Mas a verdade é que, em O Clube dos Oito, eu não consegui encontrar nenhum ponto de conexão com eles, o que torna a história vazia e praticamente sem significado – Flannery, por exemplo, não soa nada como uma garota de 17 anos, em nenhum aspecto. A isso, soma-se o fato de que o autor aborda temas importantes, como homossexualidade, padrões impostos pela sociedade e saúde mental, mas não os desenvolve de maneira satisfatória. Ou seja, era melhor nem ter tocado nos assuntos.

Mas, afinal, O Clube dos Oito tem algo de bom? Sim, gostei das críticas feitas à cobertura da mídia e à sociedade do espetáculo– com direito ao humor ácido que é característico de Daniel Handler. Apesar da saga que é chegar ao fim das 400 páginas, o desfecho é interessante e surpreende – ainda mais se pensarmos que o  livro foi escrito em 1999. Mas, infelizmente, nada que tenha compensado a leitura…

Título original: The Basic Eight
Editora: Seguinte
Autor: Daniel Handler
Ano: 1999
Páginas: 400
Avaliação: 2,5 estrelas

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