#LivroNamanita – Parte 6

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Capítulo 22

Nicolas

Estou tão acostumado com o caos de São Paulo que subestimo o de Buenos Aires. Realmente, os ritmos das cidades nem se comparam, mas pensar que eu iria de Palermo ao centro em meia hora foi estupidez. Quando estou chegando à Plaza de la Republica, evito procurar por Sarah, com medo de que ela tenha decidido ir embora. Mas, assim que termino de atravessar a avenida, vejo uma garota loira em um vestido preto perfeito. Ela sorri e eu sei que está esperando por mim. Enquanto caminhamos até o restaurante de empanadas, explico o porquê do meu atraso. Penso em dizer que teve um problema no metrô ou que o taxista me deu o cano, mas então me lembro da Débora e decido que, não importa se o assunto é sério ou bobo, eu sempre serei sincero com a Sarah. Conversamos enquanto comemos e os tópicos são aqueles típicos de primeiros encontros e, então, adentramos um território perigoso, quando ela me pergunta por que vim parar em Buenos Aires. Sei que prometi para mim mesmo que não iria mentir para ela, e mantenho a minha promessa. Mas isso não quer dizer que não possa omitir e  isso me faz lembrar que, uma hora, teremos que falar sobre o Leo.

– E por que você ainda está num hotel? Não pretende ficar pra valer? – eu pergunto, curioso de verdade.

– E você ainda acha que não tem faro jornalístico? Eu não sei se quero ficar ou se quero ir embora daqui dois meses. Por enquanto, está bom do jeito que está. E você, pretende ficar pra valer?

– Não. Mas pretendo ficar mais do que três meses, até porque o meu contrato é de pelo menos seis – respondo e fico quieto por algum tempo, pensando em qual a melhor maneira de falar sobre o nosso “amigo” em comum – Sarah, sobre o Leo…

– O que tem o Leo? – ela pergunta e fica séria. Parece decepcionada.

– Eu não quero que pense que isso está acontecendo pelas costas dele. Quer dizer, eu o conheci em uma festa quando vim para cá e acabamos mantendo contato. Ele me ajudou muito com as burocracias da migração, como você sabe, mas nunca fomos exatamente amigos como ele talvez tenha feito parecer – eu praticamente vomito as palavras e me surpreendo com o quão sincero eu realmente fui.

– Ah, sim. Eu entendo. E também não quero que você pense que, sei lá, eu sou… você sabe, fácil ou oferecida. Ou coisa pior.

– Não, eu não penso isso de você, de maneira alguma. – respondo e sorrio, para que ela saiba que estou falando a verdade.

– Ótimo – ela diz em tom suave e sinaliza o fim do assunto.

E eu sei o que eu quero fazer agora. Mas, por alguma razão, não faço e o momento passa.

Depois que colocamos uma pedra sobre o Leo, a conversa parece fluir ainda mais. Falamos sobre tantas coisas e parece que, a qualquer hora, o assunto vai acabar. Mas não acaba. Já sei que a Sarah faz 23 anos na próxima semana, é apaixonada por livros, odeia a maioria dos clichês, mas adora comédias românticas, é loira de verdade, ama gatos, detesta melancia, fica vermelha quando tenta se bronzear, é boa na cozinha e conhece várias cidades do mundo. E o fato de que eu sei que ainda há muito, de bom e de ruim, para descobrir sobre ela apenas me faz querer saber mais e mais.

Já está quase na hora do restaurante fechar, então pergunto a Sarah se quer caminhar um pouco antes de voltar para o hotel, que ela já chama de casa. Ela está com o rosto um pouco vermelho, acho que por causa do vinho, e aceita sem pensar duas vezes. Enquanto andamos pela avenida 9 de Julio, iluminada e já um pouco deserta, continuamos conversando sobre tudo e sobre nada e, então, nossas mãos tocam uma na outra, sem querer. Uma, duas, três vezes. Na quarta, eu paro e seguro os dedos finos dela. E, desta vez, eu não deixo o momento passar.

Capítulo 23

Sarah

Eu não sei se é de propósito, mas o Nicolas parece que adora me surpreender. Quando achei que ele fosse me beijar, até segurei o fôlego involuntariamente, mas ele só queria falar sobre o Leo. O que foi ótimo, pois já descartei a possibilidade de ele ser um amigo traidor – o que não era exatamente uma preocupação – e esclareci que não sou daquelas que aceita qualquer tipo de convite. Assim que saímos do restaurante e começamos a voltar para o hotel, eu já estava tão leve, por causa das taças de vinho, que não me preocupei se ele ia me beijar ou não. Quando as nossas mãos se esbarraram, pensei que havia sido sem querer e não me importei. Mas, de repente, a mão dele envolve a minha, definitivamente por querer, e o mesmo acontece com nossos lábios.

Eu me sinto em um filme, com as luzes da cidade a nossa volta, enquanto nos beijamos, perdidos no tempo e no espaço. Os extremos se encontram e eu não sei dizer se tudo aconteceu em três segundos ou três horas. O que eu sei é que, ao mesmo tempo em que é óbvio que essa é a primeira vez que nossos lábios se tocam, também parece que é algo com o que estamos acostumados. Não de um jeito cansativo e, sim, familiar. É como voltar para casa após uma longa viagem. Quando nossos corpos se separam, não consigo evitar que os cantos da minha boca denunciem o quanto eu gostei de ser surpreendida. O Nicolas também não se preocupa em esconder o sorriso. Enquanto nos encaramos, fico imaginando o que se passa pela cabeça dele e pensando se esse foi só mais um beijo qualquer. É quando ele me envolve em um abraço apertado e acolhedor e torna impossível para mim imaginar um mundo em que ele não esteja sentindo o mesmo que eu.

Na quinta-feira, é a minha versão zumbi que vai trabalhar. Estou de ressaca dupla, causada pela bebida e pela felicidade – é brega, eu sei, mas não consigo evitar. E eu não me importo. Apesar de curta, a minha noite de sono foi a melhor em muito tempo e eu sei que não foi só por causa do vinho. Sair da cama foi sofrido, mas eu nem precisei do despertador porque fui acordada por uma mensagem que chegou antes mesmo que eu começasse a esperar por ela.

Bom dia! Espero que não tenha perdido a hora. Será que você já tem o que fazer hoje à noite? Ou é muito cedo para perguntar?

Gosto da objetividade do Nicolas e tento agir da mesma forma.

Acordei a tempo, graças à sua mensagem :) Tenho muitas opções para hoje à noite, mas acho que posso reservar um horário para você. O que tem em mente?

Eu acordei a tempo, mas isso não quer dizer que não esteja atrasada. Para aproveitar cada minuto, vou escovar os dentes enquanto espero pela resposta. Assim que coloco a pasta na escova, meu celular vibra em cima do criado-mudo.

Soube de um restaurante novo, que fica perto do seu hotel e serve comida peruana. Não pense que estou desesperado pela sua companhia, é só que adoro ceviche :)

A piadinha do Nicolas me faz rir, assim como todas as outras que ele faz nas mensagens que trocamos ao longo da manhã. Ao mesmo tempo, sinais de alerta se acendem na minha cabeça. Porque algumas pessoas acreditam em amor/paixão à primeira vista, mas eu não sou uma delas. E não posso me apaixonar por uma pessoa que vi apenas duas vezes na vida.

24

Nicolas

A noite da quarta-feira foi ainda melhor do que eu havia imaginado. Não que eu tenha perdido muito tempo pensando em como seria, mas conhecer a Sarah melhor foi realmente bom. Ela é o tipo de garota que parece ser bonita demais para ser legal e não ter frescuras. Sei que parece preconceito, e talvez até seja, mas, infelizmente, a minha experiência com mulheres muito bonitas me mostra exatamente isso. No entanto, lá no bar com o Leo, eu já tinha sacado que havia grandes chances da Sarah ser uma exceção. E, é claro que é cedo para dizer, mas, depois da quarta, não sobraram muitos motivos para ter dúvidas de que, se ser muito bonita é sinônimo de ser chata, a Sarah é uma daquelas que foge à regra. Ela gosta de conversar, mas não é tagarela; é charmosa, no entanto, detesta joguinhos; é vaidosa e linda, só que de uma maneira natural; e sabe mostrar o que quer sem parecer desesperada. Resumindo em uma palavra: ela é autêntica e espontânea – ok, foram duas palavras, mas quem se importa?

Quando a beijei, um pouco antes de deixá-la no hotel, senti algo diferente. Não, não rolou o badalar de sinos, muito menos fogos de artifício. Foi apenas a sensação de estar fazendo algo certo.

– Achei que tinha desistido – Sarah diz, assim que o beijo acaba, e morde o lábio inferior. Cara, isso é sexy.

– Do quê? – respondo, sem saber do que ela está falando.

– De me beijar.

– Claro que não. Por que eu faria isso?

– Não sei. Achei que você fosse me beijar antes, mas não beijou, então achei que não ia mais acontecer.

– Eu queria. Mas preferi deixar tudo às claras antes. Fiz mal?

– De forma alguma, eu odeio joguinhos. Sinceridade acima de tudo – ela diz e sorri.

– Sem joguinhos e sinceridade acima de tudo – concordo, mas sinto uma pontada de culpa porque ainda não contei a ela sobre a Débora.

Na quinta-feira, vamos a um restaurante peruano e eu começo a me preocupar com o fato de que qualquer coisa que a Sarah diz, até mesmo frases como “eu adoro ironia”, me faz gostar ainda mais dela. Bom, eu também adoro ironia, então deve ser por isso.

– Você é do tipo romântica?

– Não. Já fui. Já acreditei em contos de fadas – ela diz, e parece estar com o pensamento longe – mas hoje sou pé no chão. E eu adoro ironia.

– Ironia é o contrário de romance?

– Não exatamente. Mas você consegue ser romântico E irônico?

– Nunca tentei. Mas que bom.

– Que bom o que? Que eu não sou romântica ou que eu adoro ironia?

– Os dois. Porque eu não sou romântico. E sou irônico.

– É, eu percebi pelas mensagens – ela diz e dá risada.

– Foi você que começou. “Tenho muitas opções para hoje à noite” – tento imitar a voz dela, mas me arrependo porque fica na cara que eu li a mensagem muitas vezes, até decorar.

– Você está dizendo que eu sou chata e que ninguém mais ia querer sair comigo? – ela continua dando risada, então sei que é brincadeira.

– Não. Você é muito engraçadinha, sabia?

– Romance ou ironia?

– Os dois – e eu a beijo. De novo. De novo. E de novo.

Nós prometemos que não faríamos joguinhos e acho isso simplesmente incrível. Gosto de mulheres charmosas, mas odeio o fato de que grande parte delas confunde charme com a mania de não falar exatamente o que quer e ainda achar que somos obrigados a saber. Bem, para mim, o charme está justamente em ser objetiva e prática. E Sarah é as duas coisas, por isso, não me surpreendo quando ela aceita me ver pelo terceiro dia consecutivo, sem cerimônias.

Ei, tenho uma pauta hoje à noite, mas devo estar livre lá pelas 21h. Jantar?

Ela também não demora para responder. Não se importa que eu pense que estava ao lado do celular, apenas aguardando uma mensagem minha. Talvez porque saiba que, do lado de cá, é a mesma coisa.

Ok, a essa hora já estarei livre do meu outro encontro. Barzinho?

Dou risada, mas, ao mesmo tempo, fico com medo de que ela esteja falando sério. Em pouco tempo essa garota já me surpreendeu de tantas formas, que não duvido de quase mais nada. “Sem joguinhos”, penso e, em seguida, respondo.

Você não está falando sério, está? Se a resposta for “não”, aceito o barzinho.

Óbvio que não. Já cansou das minhas ironias, poxa? Obs.: te espero às 21h na frente do hotel.

Não cansei, só achei que, se fosse sério, seria mais fácil de me livrar de você. Obs.: espero não me atrasar ;)

Sarah trabalha no turno da noite no sábado, então, combinamos de tomar café da manhã. Depois de vê-la por quatro dias seguidos, começo a me preocupar porque, na verdade, acho pouco. E, não, isso não é uma ironia.

Capítulo 25

Sarah

Eu nunca gostei desses joguinhos que os novos casais costumam jogar e, na primeira oportunidade que tive, já os bani da minha vida com o Nicolas. Não que a gente seja exatamente  um novo casal ou tenha uma vida juntos, mas nunca se sabe. Ele pareceu até aliviado e a dinâmica “sinceridade acima de tudo”, temperada com um pouco de ironia, está funcionando bem até agora. Por isso, durante o café da manhã no sábado, eu sugiro que a gente “tire folga um do outro” depois de quatro dias de encontros consecutivos.

– Não me entenda mal. É só que…

– Você cansou de mim, eu saquei – Nicolas diz e parece magoado.

– Não, não é nada disso. Só acho melhor, você sabe, irmos devagar.

– Eu sei, eu sei – ele muda a expressão, que fica mais suave – eu só estava sendo irônico. Um irônico dramático. É impossível cansar de mim.

– Meu Deus, pra que eu fui dizer que adorava ironias? – respiro aliviada e dou risada. Por um momento, realmente acreditei que ele estava sendo sincero – mas, falando sério, você entende o que eu quero dizer?

– Sim, eu entendo e concordo. Mas isso não quer dizer que eu goste.

– Eu sei. Também não gosto, mas acho que é importante.

Terminamos o café da manhã e Nicolas me conta que tem planos para a quarta-feira, que é meu aniversário. Eu nunca me preocupei em comemorar este tipo de data, no entanto, quando ele sugere um piquenique nos Bosques de Palermo com direito a passeio pelo jardim japonês, fico animada de verdade. Talvez, eu não esteja animada pela comemoração em si, mas por tudo o que ela representa. Pensei que o dia em que eu faria 23 anos, pela primeira vez sozinha em outro país, seria de certa forma triste. Mas dizem que fazer aniversário é um pouco como nascer de novo e, nesse momento, é mais ou menos assim que me sinto.

Após o final do meu meio expediente do domingo, aproveito para colocar o sono em dia e pensar em tudo o que aconteceu nesse pouco mais de um mês. Também escrevo alguns e-mails para dar um sinal de vida, coisa que não faço há um bom tempo, especialmente para o meu pai – não que ele se importe o suficiente para me procurar. Para a Rebeca, eu conto algumas novidades, mas não todas. Se fosse antes, eu provavelmente pegaria um avião até o Brasil só para atualizá-la sobre tudo o que está acontecendo entre o Nic e eu. No entanto, os tempos mudaram. Eu mudei. E, desta vez, eu não estou a fim de fazer o que costumávamos fazer nestas situações: analisar tim-tim por tim-tim e inventar mil teorias sobre tudo e que não davam em nada. Desta vez, eu realmente quero ser auto-suficiente e apenas me permitir viver.

No fim da tarde, já estou cansada de descansar e também de escrever e-mails. Eu e o Nic trocamos mensagens o dia todo, o que talvez não fizesse parte do acordo de “tirar folga um do outro”. Mas o que posso fazer se é isso que queremos e se prometemos manter os jogos longe das nossas vidas? Dou risada sozinha quando penso em quão improvável tudo isso parecia até pouco tempo atrás, em como eu só conseguia pensar no Douglas e em tudo o que éramos juntos. Mas meu sorriso logo é substituído por uma sensação estranha e eu sinto medo. Não, talvez medo não seja a palavra certa. Eu sinto um vazio.

Mãe,

Já faz um pouco mais de um mês que estou aqui. E, sabe, estou me saindo melhor do que eu esperava. Talvez eu não seja a melhor garçonete do mundo, mas tenho um emprego que me paga o suficiente para… bom, não é o suficiente para muita coisa, mas já é um começo. E, depois de me envolver com aquele estranho do Leo, conheci esse cara, o Nicolas, que é simplesmente incrível. Sei que é cedo para dizer, mas temos muitas coisas em comum e a conversa flui muito entre nós. Então, se tudo vai tão bem, eu gostaria de entender por que essa sensação de vazio não me deixa em paz. Por que eu pareço ter medo de me permitir ser feliz. Por que parece que sempre falta alguma coisa na minha vida. Bem, deve ser porque falta mesmo. E porque algumas coisas simplesmente não podem ser substituídas.

Sarah

Na segunda-feira, eu estou no turno da manhã e o Nicolas precisa trabalhar à noite. Na terça, ele diz que vai adiantar algumas coisas, para poder folgar na quarta, e também tomar conta dos preparativos para o meu aniversário. Quando chego em casa na véspera dos meus 23 anos, decido que mereço um banho de banheira bem caprichado, como um presente de aniversário para mim mesma. Estou quase dormindo quando meu celular vibra, em cima da tampa da privada. E, apesar da água estar muito quente, eu congelo no segundo em que vejo uma mensagem do Douglas na tela. “Oi, como você está?” é o que ela diz. E tudo de bom que eu sentia até um minuto atrás se torna ruim. “Como você é capaz de me perguntar como eu estou depois de me deixar sozinha e ir embora? Depois de me perguntar por que eu não vou me tratar? Depois de não me procurar por mais de um mês? Depois de não cumprir a promessa de um amor que duraria para sempre?” é o que eu quero dizer. Mas apenas respondo, depois de alguns segundos, que pareceram longos minutos, “oi, bem e você?”.

Douglas: bem também. Queria avisar você que amanhã desembarco em Buenos Aires.

Sarah: como assim?

Douglas: pensei melhor, não poderia ter deixado você ir embora daquele jeito.

Sarah: mas isso foi há mais de um mês.

Douglas: é, e não ficou mais fácil pra mim.

“Para mim, sim”.

Sarah: talvez a gente precisasse disso. Talvez eu precisasse.

Douglas: não em um momento difícil como esse.

Sarah: as pessoas têm que aprender a passar por momentos difíceis sem se tornar sombras de si mesmas.

Douglas: é, pode ser. Mas não quero discutir esse assunto por aqui, nem agora.

O Douglas diz que vai chegar na manhã da quarta-feira. Do meu aniversário. E que vai se hospedar em um hotel no centro da cidade, que, por uma coincidência que deve atender pelo nome de Rebeca, é o mesmo que o meu. Estou tão confusa que não sei o que pensar. Não consigo pensar. Há algumas semanas, apenas ter notícias do Douglas teria significado felicidade eterna para mim. Hoje, eu já não sei. Eu admito que um lado meu quer pular de alegria. Ou seria satisfação? Mas o outro… o outro quer apenas ir ao piquenique.

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