Resenha de Uma casa no fundo de um lago – Josh Malerman

Nada de jantar ou cinema. Amelia e James escolheram um passeio de canoa pelos lagos para o primeiro encontro. Quando terminam de comer os sanduíches e beberem as cervejas que levaram em um cooler, os dois começam a explorar a região. Depois de um túnel apertadíssimo, eles encontram um lago escondido. E o mais impressionante é que, debaixo da água, há uma casa com móveis, jardim e até piscina. A porta está aberta, e Amelia e James não hesitam em entrar. Fascinados com o que veem, os dois passam o verão inteiro explorando a casa e conhecendo melhor um ao outro. Mas a pergunta que não quer calar é: será que, assim como os humanos, a casa também abriga segredos e mistérios?

Josh Malerman sabe como envolver o leitor com histórias regadas a suspense e aquela atmosfera sombria que parece sair das páginas para a vida real. E Uma casa no fundo de um lago é mais uma amostra da habilidade do autor! Como se trata de uma short story, a trama não se aprofunda no passado dos personagens e foca apenas no presente, na exploração da misteriosa casa. E mais uma vez, Malerman brinca com nossos sentidos: nos leva para debaixo d’água, onde é fácil manipular visão, audição, tato, paladar e olfato. Onde é fácil criar uma perspectiva turva, uma realidade paralela. E nem é preciso dizer o quanto essa “brincadeira” contribui para a criação da atmosfera e do clima de suspense!

Josh Malerman é expert em finais em aberto, que dividem opiniões. Aconteceu em Caixa de Pássaros e se repetiu em Piano Vermelho. Eu, particularmente, não me importo com desfechos inconclusivos – desde que façam sentido dentro da história. Como muitos leitores, não gostei dos finais dos outros dois livros do autor, mas admito que eles surpreendem e são condizentes com as tramas. Mas, em Uma casa no fundo do lago, a sensação que ficou para mim não foi de um final em aberto e, sim, inacabado. Uma pena, pois existiam tantas possibilidades!

Talvez eu esteja viajando, mas uma das coisas que mais me chamou a atenção em Uma casa no fundo de um lago foi a metáfora ao amor. Afinal, juntos, Amelia e James exploram o território desconhecido e todas as sensações, igualmente desconhecidas, que ele causa. Existe o medo, mas também a magia. E a forma como cada um reage às descobertas os transforma de maneiras diferentes e traz incertezas, gera ruídos. E no final, a casa não se parece com uma fantasia impossível, que Amelia e James compartilham? Exatamente como o amor…

Título original: A house at the bottom of a lake
Editora: Intrínseca
Autor: Josh Malerman
Ano: 2016
Páginas: 160
Avaliação: 3 estrelas

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