Resenha de Cartas secretas jamais enviadas – Emily Trunko

Eu sempre adorei escrever cartas! Durante a infância e a adolescência, troquei muitas cartinhas com minhas amigas e até hoje as tenho guardadas. E confesso que também já me declarei para vários crushes (que, na época, eram “paqueras”, haha!) em cartas que, obviamente, nunca foram entregues. Já adulta, brinquei de escrever para a Nádia de 10 anos antes, o que foi divertido e também me ajudou a colocar as coisas em perspectiva (você pode ler tudo aqui!). Por tudo isso, não foi exatamente uma surpresa quando decidi transformar as cartas em uma das experiências mais catárticas da minha vida: escrevi um “livro” que, apesar de ser de ficção, contém uma série de cartas que poderiam ser para a minha mãe – mas que jamais serão lidas por ela.

E é exatamente isso o que Emily Trunko reúne em Cartas secretas jamais enviadas: as palavras que milhares de pessoas enviaram ao seu tumblr, Dear My (Blank), mas que talvez nunca tenham sido lidas por seus destinatários. A compilação é impactante, e isso é inegável. No entanto, confesso que, pela minha relação com as cartas, imaginava que mexeria muito mais comigo. Alguns trechos me emocionaram, sim, mas nada que se compare ao impacto que Últimas mensagens recebidas (o outro livro de Emily Trunko) causou em mim.

Cartas secretas jamais enviadas é dividido por temasQuerido eu, Querido Mundo, Amor, Amigos, Família, Coração partido, Amor não correspondido, Traição, Perda Obrigado). As ilustrações de Ale Kalko complementam as cartas e as tornam ainda mais poderosas. Muitos textos têm fortes doses de autoajuda e motivação, o que me incomodou um pouquinho. Mas, na verdade, acho que, ironicamente, o que me “atrapalhou” nesta leitura foi justamente a minha relação com as cartas. Para mim, elas são redenção, uma forma de pedir e receber perdão. E, nesta compilação de Emily Trunko, encontrei muita raiva, ressentimento e mágoa.

De qualquer forma, a leitura vale muito a pena porque, mais uma vez, mostra o poder das palavras. Afinal, existem muitas coisas que precisam ser ditas, mas não necessariamente ouvidas. Quando colocamos nossos sentimentos no papel, eles se tornam reais, quase palpáveis. É como se não estivéssemos mais lidando com algo que é invisível aos olhos. E eu sei que pode parecer bobo e até inútil. Mas escrever cartas que jamais serão enviadas é mais do que gritar para o vazio. É procurar por respostas que só podem ser encontradas dentro de nós. Vale tentar!

Título original: Dear My (Blank)
Editora: Seguinte
Autor: Emily Trunko
Ano: 2018
Páginas: 200
Tempo de leitura: 2 dias
Avaliação: 3 estrelas

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