Resenha de Me chame pelo seu nome – André Aciman

Um verdadeiro paraíso na costa da Itália, a casa de Elio e sua família recebe um escritor a cada verão, hospedando-o por seis semanas em troca da ajuda com correspondências e papeladas. Quando Oliver, um professor americano de 24 anos, chega à residência, com sua camisa esvoaçante e o indecifrável “até depois!”, o interesse do jovem italiano é instantâneo.

Aos 17 anos, Elio não reluta em admitir o desejo e a paixão. Já Oliver é inconstante e seus sinais, tão claros quanto imprecisos, confundem o garoto. Aos poucos, porém, Oliver e Elio se entregam a uma experiência única, capaz de romper as barreiras de tempo e do espaço

Me chame pelo seu nome não é um livro sobre a descoberta da própria orientação sexual. Tampouco sobre a aceitação da sociedade. É sobre o desejo, tão inebriante e visceral, que chega a ser doloroso. Também é sobre a paixão, que consegue ser tudo ao mesmo tempo: colorida e em preto e branco, felicidade pura e tristeza infinita.

Desde o início, André Aciman nos traz os mínimos detalhes da relação que, aos poucos e por caminhos tortos, Elio e Oliver constroem. No entanto, a forma como o autor escreve (com frases longas e muitos entre vírgulas) faz com que a leitura flua. Porque, embora escrita seja levemente poética, o livro se parece mais com uma conversa deliciosamente despretensiosa.

André Aciman não teve medo de exagerar nos detalhes e suas palavras fizeram com que a tensão sexual e os sentimentos de Elio transbordassem das páginas. Confesso que, em certos momentos (quem leu provavelmente vai saber), poderíamos ser poupados de detalhes, digamos, sórdidos demais. E é a partir de dois episódios específicos que a história perdeu um pouco do foco, na minha opinião. Mas logo o autor recupera o ritmo e as 40 páginas finais, definitivamente, compensam.

O desfecho de Me chame pelo seu nome é absolutamente encantador. Regado a nostalgia, nos faz pensar sobre os caminhos que escolhemos e as bifurcações que nos desviam do que nossas vidas poderiam ter sido. É o que nos faz compreender que o amor de Elio e Oliver durou menos do que seis semanas, mas também durou a vida inteira. Quando Elio se torna Oliver e Oliver se torna Elio, entendemos a extensão de “não sei onde eu termino e você começa”.

Título original: Call me by your name
Editora: Intrínseca
Autor: André Aciman
Publicação original: 2007

2 comments

  1. […] Me chame pelo seu nome (2017), escrito Andre Aciman e dirigido por Luca Guadagnino Poema em forma de livro. Essa é a melhor forma de definir Me chame pelo seu nome! Eu amei tanto a obra de Andre Aciman que é difícil acreditar que ainda não tenha assistido à adaptação – falha minha! Mas não poderia citar aqui essa história incrível, que concorreu aos Oscar de Melhor Filme, Melhor Música Original e Melhor Ator, com Timothée Chalamet (o terceiro mais jovem a ser indicado ao prêmio), e venceu na categoria Melhor Roteiro Adaptado. […]

  2. […] Me chame pelo seu nome (2017), escrito Andre Aciman e dirigido por Luca Guadagnino Poema em forma de livro. Essa é a melhor forma de definir Me chame pelo seu nome! Eu amei tanto a obra de Andre Aciman que é difícil acreditar que ainda não tenha assistido à adaptação – falha minha! Mas não poderia citar aqui essa história incrível, que concorreu aos Oscar de Melhor Filme, Melhor Música Original e Melhor Ator, com Timothée Chalamet (o terceiro mais jovem a ser indicado ao prêmio), e venceu na categoria Melhor Roteiro Adaptado. […]

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