Resenha de Os Descendentes – Kaui Hart Hemmings

Descendente da realeza havaiana, Matthew King herdou valiosas terras na região. Quando a família decide vendê-las, Matt se torna responsável por escolher o comprador, já que é o proprietário majoritário. É quando sua esposa, Joanie, sofre um acidente de barco, que a deixa em coma, presa a uma cama de hospital. E então, Matt precisa decidir o destino das terras da família ao mesmo tempo em que aprende a lidar com suas filhas: a excêntrica Scottie, de 10 anos; e a problemática Alex, de 17.

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adaptação de Os Descendentes é um dos meus filmes preferidos da vida! Por isso, passei anos (literalmente!) com medo de ler a história de Kaui Hart Hemmings e descobrir que o longa não tem nada a ver com o livro. No entanto, assim que iniciei a leitura, já percebi que não seria o caso! A adaptação de Alexander Payne, que foi indicada ao Oscar de Melhor Filme, capturou muito bem a atmosfera e a essência da história, assim como os valores que ela transmite.

Na minha opinião, um dos fatores que mais nos faz amar um  livro é a identificação direta. E esse é o meu caso com Os Descendentes. Desde a primeira vez que assisti ao filme, me conectei de cara com a situação da família King, por já ter passado por algo semelhante. E não só compreendi como também enxerguei a mim mesma nos sentimentos de Scottie, de Alex e até de Matt. E o que sempre me fascinou na história foi algo que eu também senti na pele: a dificuldade de sentir raiva dos mortos, de admitir suas falhas e, acima de tudo, se permitir perdoá-los por elas.

Falando assim, Os Descendentes parece ser um livro dramático e denso. E, por abordar temas como morte, perda e traição, inevitavelmente é. No entanto, a autora surpreende com improváveis, porém certeiras doses de humor. Isso graças à Matt, que é alheio e inadequado enquanto pai, mas também sincero e bem intencionado. É claro que as tentativas (muitas vezes fracassadas) do personagem de se tornar um bom pai coloca a família em situações trágicas, mas também cômicas, ainda que de uma maneira inesperada.

Outra coisa que gosto muito em Os Descendentes é como a história mostra as diferentes maneiras como cada um lida com a perda. Por ter apenas 10 anos, Scottie não entende exatamente o que está acontecendo com a mãe, mas isso não quer dizer que não expresse o medo e a tristeza das formas que conhece. Já Alex prefere “se distanciar” da situação, na tentativa de não ser afetada por ela – o que, obviamente, não funciona. E Matt, que vive um verdadeiro turbilhão de emoções, mal tem tempo para realmente expressar sua dor.

Os Descendentes é uma trama muito bem amarrada, e que direciona os personagens – e, consequentemente, o leitor – a grandes dilemas e reflexões. No entanto, mais do que uma história sobre perda, a obra de Kaui Hart Hemmings fala sobre perdão, redenção e a maneira como os mortos, de uma forma ou de outra, guiam a nossa vida: sendo nossos ancestrais ou ditando a forma como nos sentimos sobre eles.

Título original: The Descendants
Editora: Alfaguara
Autor: Kaui Hart Hemmings
Ano: 2007
Páginas: 304
Tempo de leitura: 4 dias
Avaliação: 5 estrelas

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