Resenha de Tudo o que nunca contei – Celeste Ng

Inteligente e dedicada, Lydia Lee sempre foi a preferida dos pais e prometia um futuro brilhante. No entanto, todas as possibilidades e promessas ficaram pelo caminho quando, na Primavera de 1970, seu corpo foi encontrado no fundo de um lago. A partir daí, a polícia inicia uma investigação oficial sobre o caso, enquanto os pais e irmãos de Lydia tentam entender o que realmente aconteceu. E é quando eles descobrem que, talvez, não soubessem quem a garota realmente era.

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Como sempre digo, ler sinopses não é meu forte. Por isso, não é raro eu começar uma leitura sem saber exatamente o que esperar de um livro. Foi o que aconteceu com Tudo o que nunca contei, que não apenas me surpreendeu, como também se tornou uma das minhas leituras preferidas de 2017. A escrita de Celeste Ng envolve, intriga e é um conjunto de paradoxos: brutalidade e delicadeza, intensidade e tranquilidade, culpa e redenção, leveza e densidade. E é com esse mix de sentimentos e sensações que a autora nos apresenta ao passado e ao presente da família Lee, o que, de certa forma, também nos transporta para a nossa própria história.

Com a proposta de dissecar a trajetória da família Lee, a trama tem dois pontos-chave: o primeiro é James, o pai de Lydia, que sempre se sentiu discriminado por ser filho de imigrantes chineses; e Marylin, a mãe, que teve seus ambiciosos sonhos interrompidos pela gravidez.  E é com esse pano de fundo que Celeste Ng cria não só um contexto histórico e social, em que aborda desde preconceito até feminismo, como também constrói um background que explica muitos aspectos da trama. 

A leitura de Tudo o que nunca contei mexeu muito comigo, e não (só) por ter luto e perdas envolvidos. Gostei muito da forma como a autora retratou as frustrações de James e Marilyn, mostrando o quanto elas guiaram a vida dos dois e, consequentemente, de seus três filhos. Com esse contexto, Celeste Ng nos faz perceber o quanto a história dos nossos pais, avós, bisavós (…) define a nossa própria trajetória – e como isso pode ser tão bom quanto ruim. No final, a mensagem que fica é que podemos errar demais, mesmo quando o que mais queremos é acertar e reparar.

Título original: Everything I never told you
Editora: Intrínseca
Autor: Celeste Ng
Ano: 2014
Páginas: 304
Tempo de leitura: 4 dias
Avaliação: 5 estrelas

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7 pensamentos sobre “Resenha de Tudo o que nunca contei – Celeste Ng

  1. Essa resenha está incrivelmente bem escrita, como sempre. Você já sabe o quanto eu amei esse livro 💙 Também se tornou um dos melhores livros de 2017 (e um dos favoritos da vida).

    1. Hellen, sua linda, adoro quando te vejo por aqui <3
      De novo, te agradeço por ter me incentivado a ler esse livro! Esperava uma história boa, mas nada fora do normal. E me deparei com algo que realmente mexeu comigo!! Obrigada sempre!

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