Semana Especial Dia Internacional da Mulher: sobre Elena Ferrante e Lionel Shriver

Para comemorar o Dia Internacional da Mulher, a Intrínseca convidou os parceiros para participar de mais uma semana especial <3 E para celebrar em grande estilo, nada melhor do que falar um pouco sobre as autoras incríveis que são publicadas pela editora! Escolhi quatro nomes e, para começar, vamos falar sobre Elena Ferrante e Lionel Shriver.

Embora tenha que estar em um estado de espírito específico para ler Lionel, ela é, provavelmente, a autora mais genial que já tive o prazer de ler. Meu primeiro livro dela foi Precisamos falar sobre o Kevin, que já seria genial se fosse “apenas” uma história sobre um adolescente que decide protagonizar mais um massacre escolar nos Estados Unidos. No entanto, porque é Lionel é Lionel, decidiu transformá-lo em muito mais do que isso.

Entre muitas qualidades, o que mais me chamou a atenção em Precisamos falar sobre o Kevin foi a forma como a autora abordou a maternidade. Especialmente o lado difícil, frustrante, excruciante e doloroso.  E, por mais cruel que Eva Katchadourian possa parecer ao se revelar ao leitor, é praticamente impossível julgá-la por seus piores pensamentos e sentimentos. Porque Lionel fez Eva não apenas honesta e verdadeira, mas extremamente real. A maioria das mães não terá um filho psicopata e criminoso. Mas provavelmente todas irão se sentir, em algum momento, em algum grau, exatamente como Eva. E Lionel nos faz entender que tudo bem, que faz parte. Que a maternidade, como todas as outras coisas na vida, não tem só o lado bom. E, principalmente, que o lado ruim pode ser BEM ruim.

Elena Ferrante é um nome novo na minha biblioteca pessoal, mas já de grande prestígio. Da autora, li apenas A Filha Perdida, que, embora tenha seu próprio estilo e seus próprios méritos, me fez lembrar bastante da maneira como Lionel fala sobre maternidade. Na trama, Elena conta a história de Leda, uma professora bem-sucedida que se vê “livre” de suas filhas já adultas e decide tirar férias no litoral italiano. E se Eva Katchadourian acaba “se redimindo” como mãe com Celia, Leda realmente parece não ter a maternidade dentro de si. A professora é uma personagem cheia de segredos e peculiaridades, mas propõe uma discussão interessante: será que todas as mulheres nasceram para ser mães? Será que a maternidade é um dom, um talento? Talvez seja e, em um momento em que as mulheres lutam para redefinir seu papel no mundo, vale demais refletir sobre o assunto – dentro e fora de si.

A capacidade de retratar a maternidade com honestidade brutal é, provavelmente, um dos grandes destaques das obras de Elena e Lionel. No entanto, as autoras também merecem destaque por criarem personagens femininas tão fortes e donas de si. Excêntricas e muitas vezes até egoístas, sim, mas extremamente notáveis por não terem pudor em mostrar quem são.

selo2016

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