Entrevista com Frini Georgakopoulos, autora de Sou fã. E agora?

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Melhor do que amar um livro é não esperar nada de uma leitura e terminá-la simplesmente encantada! Foi o que aconteceu quando li Sou fã! E agora?, da Frini Georgakopoulos. Como contei na resenha (e no Instagram e em todo lugar) , decidi ler o livro porque a Frini foi muito simpática durante o Encontro de Blogueiros da Companhia das Letras. E qual não foi a minha surpresa quando me diverti e me identifiquei com cada página da obra? Por isso, foi muito legal poder entrevistar a autora e conversar sobre essa história de ser fã, o cenário literário atual, inspirações e influências e, de quebra, me identificar um pouquinho mais com ela!

– Você sempre teve o sonho de escrever um livro? Se sim, você se imaginava escrevendo algo na linha de Sou fã. E agora? mesmo ou pensava que criaria uma ficção?
Sempre tive muita vontade de escrever um livro, mas nunca a disciplina para sentar e terminar. Amo escrever contos, então já tenho dois publicados e um romance iniciado, mas sempre a falta de tempo me pegava. Mas aí eu resolvi “fazer” o tempo e finalizar um projeto e deu certo. Nunca pensei que conseguiria criar um livro como Sou fã! E agora? porque achava que para falar de estética de texto e gêneros literários seria preciso ser estudioso no assunto. Mas hoje em dia, o consumidor/leitor também cria conteúdo e como tenho muita experiência no ramo e pesquiso muito, consegui criar algo que divertisse, mas que também levasse conteúdo diferenciado aos leitores. Para mim, conteúdo que venha a gerar uma reflexão é essencial e espero ter alcançado isso com meu livro.

– Suas inspirações estão claras em Sou fã. E agora?. Mas quando e como você teve o “click” de que suas ideias poderiam se transformar em um livro?
O “click” veio em dois momentos. O primeiro ao notar que o que falo e explico nos eventos que apresento causa reflexão e curiosidade. Então pensei que seria legal expandir o horizonte e levar esse conteúdo para mais pessoas. O click de ser em livro veio quando eu li Uma página de cada vez. Ao ver que simples atividades levavam à reflexões muitas vezes profundas, pensei em unir as duas coisas e aí nasceu a ideia do Sou fã!.

– Como foi o processo de publicação do livro?
Longo, mas sensacional! Depois do contrato fechado com a Editora Seguinte, passei o material que tinha e minhas editoras fizeram comentários e sugestões. Daí em seguida, fui criando novos textos, alterando anteriores e até deixando alguns de lado para estruturar o livro como ele é hoje. Depois dos textos fechados, veio a parte gráfica, que foi um trabalho incrível dos ilustradores envolvidos e em parceria comigo e com minhas editoras. Todos opinamos até chegar a um resultado que deixaria todos contentes.

– Quais são suas principais influências literárias?
Difícil dizer. Amo muitos livros e autores, mas tenho uma voz própria e procuro ouvi-la e aprimorá-la sempre. Tenho muito medo de ser cópia falsificada de alguém que admiro, sabe? Então identifico o que me faz gostar tanto de um estilo e procuro aprimorar o meu para causar nos outros o que senti ao ler. Faz sentido? Acho que minha principal influência é a voz do meu professor de literatura da escola (até agradeço a ele no livro). Ele sempre me encorajou a não ter medo e a buscar mergulhar sempre mais fundo nas entrelinhas. Então é isso que eu faço. É uma pena que ele não esteja mais nesse plano para ler o livro, mas espero que esteja orgulhoso de mim mesmo assim.

– Você já tem novos projetos literários em andamento? Pensa em escrever ficção?
Tenho sim e penso sim. Mas no momento só posso falar isso. #mistério
Mas tenho dois contos de ficção publicados. Um foi premiado pela Amazon no concurso #BrasilEmProsa e pode ser comprado aqui. O segundo foi o primeiro a ser publicado e pode ser lido gratuitamente aqui (página 60, se não me engano).

– Como o fato de ser jornalista influenciou no processo de criação de Sou fã. E agora?
Acho que ser jornalista faz parte da minha vivência, de quem eu sou. Analiso tudo e faço conexões o tempo todo. É parte de mim, logo, é parte do que escrevo e de como escrevo. Sem contar que estou acostumada a ser editada por ser jornalista, então foi ótimo! Foi fácil entender o que queriam e como atender e também identificar o que eu não queria mudar e como fazer isso também.

– Como você vê o cenário literário nacional atualmente?
Em profunda e constante mudança. E isso é maravilhoso! Eu odiava ler quando pequena porque não me ensinavam os elementos direito. Tipo, eu lia algo como Senhora aos 15 anos de idade e não fazia sentido para mim. Mas aos 30, foi perfeito! Professores fazem toda a diferença na hora de explicar a estética literária, o movimento no qual aquela obra está inserida. Só fazer prova para provar que leu não é o suficiente para formar um leitor. Graças a Deus, tive professores no Ensino Médio que foram maravilhosos e fizeram a diferença na minha formação como leitora. Mas também é possível se tornar leitor na infância e na terceira idade. Basta encontrar o livro certo e até alguém que divida o gosto para trocar indicações. Digo tudo isso porque existe muito mimimi contra livros de YouTubers hoje em dia e contra literatura pop. Os “críticos” dizem que nada disso é literatura com “L” maiúsculo. Mas ninguém avisou a eles que não precisa ser! Eu pelo menos não quero ser uma Imortal da ABL. Tudo que quero é colocar a galera – independente da idade – para refletir e ser um leitor, uma pessoa melhor depois disso. E só! E pra essa turma do YouTube, o livro é só um produto. Mas o fã que lê isso hoje pode vir a ler outros pop amanhã e partir para um Senhora depois. Ler é hábito e o mais bacana é que hoje em dia temos inúmeras plataformas para exercer e desenvolver esse hábito e que também nos ajudam a criar obras nossas e compartilhar com o mundo. Melhor momento EVER! Enquanto a informação era para poucos há séculos, hoje, ela está na palma da nossa mão, literalmente! E justamente por isso, é essencial que todos desenvolvam um senso crítico para saber diferenciar o que gosta e o que não vale o tempo.

– Antes de abraçar seu lado fã, você julgou a si mesma achando que já havia passado da idade de ser tão apaixonada por algumas coisas?
Nunca. Para mim, só a matéria envelhece e o meu espírito, minha personalidade não são tangíveis. Acho que é por isso que já passei dos 30, mas tenha cara de 29. HAHAHAHAHA! Mas sério, nunca me julguei nesse sentido porque amo muito ser fã. Tem coisas que não faço mais – como colecionar revistas e usar camisetas com caras de ator – não porque acho que tenha passado da idade, mas porque meus gostos mudaram. Hoje sou uma fã mais seletiva em algumas coisas, mas ainda sou empolgada pacas!

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