Entrevista com Fernando Scheller, autor de O amor segundo Buenos Aires

Não canso de dizer o quanto sou apaixonada por Buenos Aires. Simplesmente tenho a certeza de que, mesmo depois de conhecer outras grandes cidades, a capital argentina sempre terá um lugar especial no meu coração. Sendo assim, não havia chances de eu não ler O amor segundo Buenos Aires, do jornalista brasileiro Fernando Scheller. Como não poderia ser diferente, o livro proporciona ao leitor um passeio pelas ruas da cidade. Mas é também um tributo a todos os tipos de amor! Em entrevista ao blog, Fernando Scheller falou sobre inspirações e influências, projetos futuros e como o fato de ser jornalista influenciou no processo de criação de O amor segundo Buenos Aires.

– Você sempre teve o sonho de ser escritor?
Acho que a vontade de fazer um trabalho autoral veio aos poucos, não foi algo acalentado e pensado desde sempre. Surgiu, primeiro, como uma evolução do jornalismo, com o livro-reportagem Paquistão, viagem à terra dos puros, publicado em 2010 pela Editora Globo. Depois disso, queria continuar escrevendo e tinha a preocupação de não me repetir, de simplesmente fazer outro livro sobre viagem. No entanto, foi exatamente durante uma viagem de férias que veio a inspiração para o início de O amor segundo Buenos Aires. A partir daí, comecei a escrever o livro aos poucos, junto com as minhas atividades profissionais, num processo que levou cerca de quatro anos.

– Quais foram as suas principais inspirações, além da cidade, para escrever O amor segundo Buenos Aires?
A inspiração para O amor segundo Buenos Aires veio no fato de que gostaria de escrever um livro sobre pessoas interessantes, uma espécie de homenagem aos amigos que tenho e que gostaria de ter. Parecia que faltava um livro com uma linguagem ágil, que celebrasse todas as formas de amor a partir de um ponto de vista contemporâneo. Além disso, sempre gostei da ideia de mostrar que toda história tem dois lados (ou até mais), o que explica a estrutura de múltiplos narradores do livro.

– Por que escolheu Buenos Aires não apenas como cenário, mas também personagem de seu livro?
Essa ideia veio bem no fim do processo, quando o livro já estava escrito. Parecia que, especialmente, o desfecho não funcionava direito. Escrever é também um processo de reescrever, revisar. É um exercício muito rico, que pode ampliar o escopo de uma obra, deixá-la mais próxima da perfeição.

– Quais são suas principais influências literárias?
Minhas influências literárias são as mais diversas. Gosto muito do estilo de contos de Alice Munro (autora de Fugitiva e Amiga de Juventude), sou apaixonado por um livro específico de Jonathan Frazen (Liberdade, que eu recomendo muito). Li a obra completa (ou quase) de Philip Roth, quando era mais jovem fui apaixonado por Paul Auster, li várias vezes a primeira metade de Franny & Zooey, de J.D. Salinger. Acho o estilo de Jane Austen moderno e fluido, apesar de ela ter vivido há mais de 200 anos. Já devorei Gabriel García Marquez, José Saramago e Vargas Llosa. Entre os brasileiros contemporâneos, li recentemente Vanessa Bárbara e Ricardo Lísias.

– Como aconteceu o processo de publicação de O amor segundo Buenos Aires?
Eu trabalho com uma agência literária, a Riff, que começou a me representar lá atrás, em 2009, ainda no livro sobre o Paquistão. Quando terminei o livro, apresentei o texto, recolhi sugestões e fiz uma revisão completa antes de começarmos a apresentá-lo às editoras. A partir daí foi um processo relativamente rápido. O livro começou a ser enviado em abril de 2015, fechamos o contrato em agosto e a publicação veio em abril de 2016. Antes disso, trabalhei, em conjunto com a Intrínseca, numa revisão radical do texto, que foi essencial para o resultado final que está agora nas livrarias, do qual gosto muito.

– Você já tem novos projetos literários em andamento?
Sim, um livro novo, um projeto de época, no qual o lugar onde a história se passa também será essencial. Já fiz alguns rascunhos, tenho os personagens delineados, mas só vou ter tempo de começar a escrever mesmo a partir de 2017.

– Como o fato de ser jornalista influenciou no processo de criação do livro e dos personagens?
Acho que na estrutura de localização dos capítulos, influenciou muito. A ideia de o livro ter um senso claro de localização reflete, sim, minha origem jornalística, assim como a ideia de que a obra pode funcionar como um guia alternativo da cidade, embora seja principalmente uma obra de ficção.

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