Sobre Stranger Things

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Eu sou simplesmente péssima para assistir séries. Vi pouquíssimas e, até mesmo as que eu realmente amava, abandonei antes do final/cancelamento. Por isso, quando começaram a falar sobre Stranger Things, nem dei bola. Quando entendi que boa parte do frisson era devido às inúmeras referências aos anos 80, também não me importei, pois não sou especialmente apegada à década. As coisas mudaram um pouco de figura, porém, quando soube que a série tinha um toque de terror e mistério. E mudaram completamente quando descobri que a primeira temporada tem apenas 8 episódios – ou seja, menos chances de abandonar no meio do caminho.

No entanto, a verdade é que é praticamente impossível abandonar Stranger Things. A série “chega chegando” e é difícil não ficar intrigado já no primeiro episódio. Do terceiro em diante, então, são tantas pontas soltas, que rola até uma curiosidade “mórbida” sobre como os criadores Matt e Ross Duffer irão conectar cada fragmento da história. Mas, apesar de já começar direto ao ponto, Stranger Things segue em uma crescente e, ao mesmo tempo em que desvenda alguns mistérios, insere novos. Ou seja, o espectador chega ao oitavo e último episódio mais curioso e intrigado do que nunca!

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Com doses de ficção científica, mistério, terror, humor e até romance, Stranger Things envolve pela trama em si, mas a verdade é que uma combinação de fatores garante o sucesso da série. O primeiro é a competência que os irmãos Duffer mostraram ao criar personagens tridimensionais, com bagagens e personalidades tão reais quanto peculiares. No entanto, de nada adiantaria traçar os perfis psicológicos, se os atores não fossem igualmente precisos ao retratar tais características. E aí está o segundo “bingo” dos criadores: o elenco, formado por uma maioria de atores até então não muito conhecidos.

A turma mirim composta por Finn Wolfhard, Millie Bobby Brown, Gaten Matarazzo, Caleb McLaughlin e Noah Schnapp representa mais do que os protagonistas de Stranger Things. Eles são as verdadeiras estrelas. Cada um é carismático à sua maneira, assim como seus personagens, e o fato determinante é que todos souberam compreender e traduzir suas respectivas características para os espectadores.

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Charlie Heaton está ótimo no papel do “problemático, mas bom garoto” Jonathan, enquanto Natalia Dyer é encantadoramente irritante na pele de Nancy. Já David Harbour foi uma boa escolha para viver o típico “policial com cara de mau, mas no que fundo é legal”. E para completar, a “cereja do bolo”, Winona Ryder. Ouvi algumas pessoas dizerem que esperavam mais da atuação da atriz. Eu, que não sou nenhuma crítica de cinema/TV, no entanto, achei que ela foi bem no papel de Joyce Byers. Com o peso de ser o grande nome do elenco, Winona conseguiu retratar bem a histeria, o descontrole e o desespero, frutos de ser a mãe de uma criança misteriosamente desaparecida.

Agora, a grande sacada dos irmãos Duffer: as referências aos anos 80. Toda década tem seus ícones e charmes, mas arrisco dizer que nenhuma é tão querida quanto a de 1980 (até mesmo por quem nem viveu na época ou era pequeno demais para se lembrar). Esse carinho se estende também à cultura da década, especialmente o cinema e a música. E Stranger Things, além de se passar em 1983, traz fortes referências dos anos 80, de The Clash a Os Goonies, de David Bowie a Uma Noite Alucinante, passando por Poltergeist, Joy Division, A Hora do Pesadelo, Echo and the Bunnymen, Star Wars, X-Men, Alien e por aí vai.

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E como se não bastasse evocar toda a glória dos anos 80, Stranger Things ainda tem forte influência de dois nomes que são atemporais: Steven Spielberg e Stephen King. E.T., um dos maiores clássicos do diretor, é referência óbvia para a série, seja nas cenas ou na construção dos personagens. Já King é “provavelmente a maior inspiração para Stranger Things“, segundo os próprios irmãos Duffer, o que fica claro em muitos elementos da história. Os mais óbvios talvez sejam Carrie, a estranha e Conta Comigo, no entanto, quem leu It: A Coisa com certeza vai encontrar muitas similaridades entre as duas tramas. John Carpenter completa o trio de fortes influências da série, com A Bruma Assassina e o papel do radiotransmissor na história.

(E aqui vamos abrir um parênteses para falar sobre Stranger Things x It.

A primeira característica que os criadores da série emprestam de King é ambientar a história em uma cidade pequena. Além da mística naturalmente envolvida, tanto Stranger Things quanto It precisam de um espaço onde o espetáculo possa se desenrolar e atingir certo nível de histeria coletiva. Outra referência é a da “Coisa” em si: nas duas obras, ninguém sabe exatamente com que tipo de criatura poderosa do submundo estão lidando. O bullying também desempenha papel importante nas duas tramas, unindo os protagonistas e “perdedores”.  E a primeira, e talvez maior, similaridade que notei foram os protagonistas infantis e a forma como eles despertam os sentimentos de amizade e lealdade, usando-os como principal arma para combater o mal.)

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Calma, que tem mais um pouco! Para completar, Stranger Things ainda aborda o bullying, tema que, infelizmente, parece nunca ficar ultrapassado; retrata os dilemas típicos da adolescência, com Nancy e companhia; traz à tona o mais do que atual girl power – afinal, existe alguém mais poderosa do que Eleven?; e, por fim, não só prega o respeito e a aceitação do que é diferente, como realmente coloca tais valores em prática ao levar a displasia cleidocraniana de Gaten Matarazzo, o Dustin, para a ficção (o ator realmente sofre da doença e, na vida real, usa uma prótese que foi descartada para o personagem).

Fofo, engraçado, emocionante, divertido, nostálgico, inteligente, misterioso e intrigante. Sim, Stranger Things é tudo isso e merece todos os comentários positivos que tem recebido. Não entendo muito de cinema e televisão, mas acredito que o segredo do sucesso da série seja o ingrediente que é necessário para qualquer boa obra: a originalidade. Se Matt e Ross Duffer não tivessem sido tão competentes em criar uma trama que mistura tantos elementos marcantes de maneira coerente dentro da loucura, Stranger Things não seria cheio de referências e, sim, de cópias.

E aí, quem assistiu? O que acharam?

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6 thoughts on “Sobre Stranger Things

  1. Putz ficou muito bom! Eu adorei demais esta série. Eu tenho que confessar que sou oitentista. Não que eu não goste de modernidade, muito pelo contrário, mas eu simplesmente estou amando todos os remakes de filmes daquela época e Stranger Things é um presente pra mim! E as referências o que dizer? Só coisas que curto muito! Kkkkk. Parabéns mais uma vez.

    1. Obrigada :D
      Apesar de não ser oitentista, reconheço que a melhor década para se fazer referência é a de 80, hahaha!
      E eu também adorei Stranger Things, espero que a segunda temporada seja tão boa quanto a primeira!

  2. Minha impressão final é: acho que a série não precisa de continuação. Gostei demais de tudo e tenho medo de desgostar de uma continuação sabe? De perder todo esse “impacto”.

    obs.: o policial/delegado me lembrou muito o Jack do O Iluminado. O ator. kkkkk

    1. Eu acho que poderia acabar assim também. Por outro lado, do jeito que terminou a primeira temporada, se eles desenvolverem direitinho, vai ser legal!!
      E sim, eu achei o ator muito parecido com o Jack Nicholson também, hahaha! Uma referência indireta a O Iluminado, certeza!

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