Dia dos Namorados: os 10 livros favoritos dele <3

Já fiz uma lista com livros sobre todos os tipos de amor e, há algum tempo, postei meus casais literários favoritos. Mas ainda queria fazer um post especial para o Dia dos Namorados e, pensando sobre o assunto, tive a ideia de pedir para o Gabriel, meu namorado (aka aquele que divide a estante comigo) contar para nós quais são os 10 livros favoritos dele <3

Como vocês vão perceber, nós dois temos gostos literários muito diferentes. No entanto, já roubei várias indicações dele e sempre admirei seu “currículo de leitor”, que é cheio de livros clássicos, inteligentes e que todo mundo deveria ler. Então, além de uma lista especial, nosso post de hoje vai estar cheio de recomendações que saem da minha zona de conforto :) Então, com a palavra, Gabriel… <3

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Namorar a dona do blog e escrever uma lista dessas é ao mesmo tempo uma honra e uma grande responsabilidade. A honra é por ter sido escolhido para compartilhar com tanta gente um pouquinho do que eu gosto. Já a responsabilidade se deve ao fato de que, sendo a Nádia essa bibliófila e máquina de leitura, é necessário mostrar que apesar dos meus números de livros por ano serem pífios – 11 em 2014, 17 no ano passado e seis nesse ano – não estou aqui só por estar dormindo com a dona do negócio.

Aí vamos! Sem ordem definida e com uma leve inclinação para temas variados – pra fingir uma ecleticidade – temos esses 10:

O Processo, Franz Kafka
O que aconteceria se você tivesse que responder a um processo sem saber o porquê e nem por quem? E os juízes quem são? Essa é, em linhas gerais, a premissa desse clássico que me marcou demais quando o li. A jornada de Joseph K. é tanto interna quanto externa e o clima criado pelo escritor é de um crescente sufocamento que nunca se encerra e que sempre deixa espaço para um inútil otimismo. Gosto de ler coisas do tipo!

Ensaio sobre a Cegueira, José Saramago
Eu tenho uma grande propensão a gostar de livros que mexem com o realismo fantástico e com o viés pessimista/trágico. Ler o Ensaio sobre a Cegueira faz você se sentir mal e não posso deixar de valorizar uma obra que consegue mexer tanto com alguém. Nesse livro Saramago cria um cenário distópico no qual (quase) toda a civilização perde a capacidade de enxergar. No livro isso é tratado inicialmente de forma literal, mas depois é possível perceber que trata-se de algo muito maior e simbólico. A própria noção de humanidade é desafiada ao longo das páginas e do estilo particular de escrita do português.

Inverting the Pyramid, Jonathan Wilson
De forma alguma seria possível que eu, comentarista esportivo e amante do futebol, não citasse um livro sobre o tema nessa lista. Invertendo a Pirâmide – na minha tradução literal – é a compilação obrigatória sobre a história da tática no futebol. O nome se deve à primeira tentativa de organização de 11 jogadores dentro de campo e aos movimentos que levaram à completa subversão desse primeiro pensamento ao longo de mais ou menos 100 anos. A pirâmide era o desenho em campo da formação 2-3-5 (dois zagueiros, três meias e cinco atacantes), que aos poucos foi sendo alterada para uma segurança maior na defesa e menos homens de frente até chegar ao 4-5-1 e quem sabe ao 5-4-1 que seria exatamente a pirâmide de cabeça pra baixo. Muita contextualização histórica e estilo fluido nessa obra!

Steve Jobs, Walter Isaacson
Precisava colocar uma biografia aqui na lista e essa foi a melhor que já li! Muitas entrevistas, cuidado com a aferição de partes boas e ruins do entrevistado, paciência para explicar conceitos muitas vezes complexos de tecnologia e informática… Excelente trabalho para quem quer entrar na cabeça de um dos maiores gênios da história da humanidade. Nem bonzinho, nem malvado, nem deus, nem diabo…

Série Discworld, Terry Pratchett
Não é exatamente um livro, mas não saberia qual dos vários dele escolher para colocar aqui… Para quem não conhece, Pratchett zomba das grandes narrativas da fantasia e mágica (como Senhor dos Anéis, Harry Potter e cia.) para criar um mundo próprio de inesgotável criatividade e risos. Comecei com A Cor da Magia e li todos os publicados pela Conrad aqui no Brasil. Tenho predileção especial pelas narrativas que envolvem o mago Rincewind, incapaz de lançar um único feitiço, e o Morte (sim, o responsável pela passagem para outro mundo). Se tivesse que escolher um dos muitos livros recomendaria O Oitavo Mago e O Aprendiz de Morte.

1Q84, Haruki Murakami
Por mais valor literário e afetivo que tenham os demais livros nessa lista, não sou capaz de citar algum outro que tenha me prendido tanto a atenção quanto essa série do japonês Murakami. O poder de colocar cliffhangers elaborados e ainda assim efetivos na narrativa dupla Aomame/Tengo é o que faz você não largar o livro/livros nem por decreto. Difícil definir a trama, mas em linhas gerais coisas muito estranhas vão acontecer no mundo/mundos para consagrar uma história de amor. (Nota da Naná: o fato curioso é que eu comprei a trilogia de 1Q84 para mim, mas ainda não li.)

Sagarana, Guimarães Rosa
Meu escritor brasileiro favorito! Esse livro é uma obra prima! Nove histórias com tramas variadas que trazem o estilo de vida do interior de Minas Gerais na década de 1940 atrelado à percepção universal do homem e de suas pequenas sagas e heroísmos. O que mais me cativa aqui é como pessoas ditas “comuns e rasas” adquirem relevância e como a linguagem de Guimarães Rosa é fluida ao mesmo tempo em que é inovadora. Gosto especialmente de A Hora e a Vez de Augusto Matraga e São Marcos.

Misto-Quente, Charles Bukowski
O estilo cáustico e a oscilação entre melancolia, ironia e ódio me cativaram nessa obra. Eu bem tenho minhas críticas pela maioria dos livros dele se parecerem demais, mas entre todos os que eu li de Bukowski esse é o melhor! A história traz Henry Chinaski, alter-ego de Bukowski, desde a infância até a vida adulta no submundo de Los Angeles. A trama em si não tem muitos atrativos, mas o estilo de escrita é excelente.

Saga Brasileira, Miriam Leitão
Não sou nenhum entusiasta de economia e tampouco entendido do tema, mas esse livro é muito, muito bom. Conta a história da moeda Real trazendo todo o contexto do país no final da década de 80 e início de 90 – com inflação diária e medidas econômicas bizarras para tentar contornar o problema. Em 1993, porém, uma equipe de importantes economistas conseguiu traçar uma teoria e obter o respaldo político para mudar esse cenário. Veio a URV (unidade real de valor), abrindo assim caminho para o plano Real no ano seguinte. Convicções políticas à parte, esse episódio da história do país é determinante e contado de forma muito interessante e jornalística por Miriam Leitão.

Musashi, Eiji Yoshikawa
Pra fechar, essa que foi a primeira grande obra que eu li. E bota grande nisso! São dois volumes que ao todo somam 1808 páginas. O romance conta a história real de Miyamoto Musashi de uma forma ficcionada no Japão dos anos 1600. O jovem esquentado e agressivo é iluminado pela sabedoria budista do monge Takuan e inicia uma jornada de autoconhecimento em busca da serenidade e do caminho da espada. Musashi foi o primeiro samurai a unir o combate com a intelectualidade e espiritualidade e o livro faz esse caminho junto com o herói.

Gab, obrigada por topar listar seus 10 livros favoritos aqui. E espero que a nossa estante tenha cada vez mais histórias escolhidas por você e por mim <3

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