Resenha de S. – J. J. Abrams e Doug Dorst

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V. M. Straka é um escritor revolucionário, cultuado e extremamente polêmico, mas ninguém sabe sua real identidade. O Navio de Teseu é seu último romance e muitos acreditam que seja uma misteriosa metáfora de sua própria existência. Na “vida real”, Eric é um grande fã de Straka e se dedica a descobrir a verdade sobre o autor. Quando Jennifer encontra o exemplar de O Navio de Teseu com as margens repletas de anotações de Eric, os dois começam a se comunicar por meio do livro e tentam desvendar o mistério por trás das histórias de O Navio de Teseu e V. M. Straka.

Antes de qualquer coisa, você precisa saber que S. é um livro diferente de todos que eu (pelo menos) já vi. Conheço livros interativos, como as obras de Keri Smith, e com propostas diferenciadas, como O Jogo da Amarelinha, de Julio Cortázar, mas como S., eu nunca havia visto. E foi isso o que me deixou extremamente curiosa e absolutamente louca para ler a obra, que foi escrita por Doug Dorst e idealizada por J. J. Abrams – sim, o diretor de Star Wars: Episódio VII – O Despertar da Força. E por ser completamente diferente de tudo – ou pelo menos da maioria -, S. requer uma resenha diferente de todas as outras. Então, vamos por partes.

COMO LER S.?

Existem várias maneiras de ler S.:

  • Ler O Navio de Teseu como um livro normal e, depois, ler as anotações e os anexos.
  • Ler O Navio de Teseu como um livro normal e, ao final de cada capítulo, ler as anotações e anexos respectivos.
  • Ler O Navio de Teseu e as anotações e anexos ao mesmo tempo.

Eu escolhi a primeira forma (e ainda devem existir mais), por achar que seria a mais fácil. Não posso dizer se é ou não, já que não experimentei as outras maneiras, mas posso afirmar que não ler as notas é um desafio (tanto por curiosidade quanto porque elas estão na sua cara mesmo), assim como manter todos os anexos no lugar certo (minha dica aqui é colar um post-it em cada um com o número da página em que ele deve ficar. Assim, se algum deles cair, você saberá onde devolvê-lo).

Admito que ler O Navio de Teseu e, depois, voltar para ler as notas e anexos foi cansativo. Mas acredito que a leitura de S. não tenha sido idealizada para ser leve, fluida e fácil. Sendo assim, acho que ler a obra de V. M. Straka como um livro normal primeiro foi a forma menos confusa de concluir a leitura – já que tanto a trama de O Navio de Teseu, quanto as anotações demandam bastante atenção por si só.

LENDO O NAVIO DE TESEU

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Em O Navio de Teseu, acompanhamos a jornada de um homem que não sabe absolutamente nada sobre seu passado, presente e muito menos futuro. Obrigado a atender pelo “nome” de S., ele embarca em um navio tão misterioso quanto sua existência e mergulha em uma perigosa e determinante jornada. A partir dessa breve sinopse, já é possível notar que os enigmas permeiam toda a obra e, como leitor, é impossível não perseguir a verdade por trás da identidade de S.

A leitura não é fácil tampouco fluida, já que “louca” é a palavra que melhor define O Navio de Teseu e suas muitas reviravoltas. Confesso que a obra não é do meu estilo favorito e, se não fosse pela proposta de S., eu provavelmente nunca a leria. Mas isso não me impede de saber que a história é extremamente original, rica e inteligente – até porque, se não fosse tudo isso, certamente não funcionaria dentro do universo particular criado por J. J. Abrams.

No prefácio, F. X. Caldeira, responsável pela tradução das obras de V. M. Straka, diz que o autor acreditava que o “foco no Escritor e não na Obra desonra ambos”. E, após chegar ao final de O Navio de Teseu, entendo que o foco no Final e não na Obra também desonra ambos.

LENDO S.

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Depois de ler O Navio de Teseu, chegou o momento mais esperado de me entregar às anotações e anexos. E a trama desta história dentro da história é a seguinte: a estudante de literatura Jennifer encontra um exemplar de O Navio de Teseu com as anotações de Eric, um grande admirador da obra de Straka. Os dois começam a se corresponder por meio de notas escritas no livro e, logo, estão envolvidos em uma investigação para descobrir quem realmente foi V. M. Straka/S.

Os diálogos entre Jennifer e Eric são descontraídos e divertidos e, em meio às pesquisas relativas à identidade de Straka/S., os dois passam a dividir confissões pessoais e, ironicamente, começam a buscar a verdade também sobre quem eles mesmos são. Confesso que achei toda a “investigação” pseudointelectual demais e admito que nem sempre é fácil acompanhar o ritmo das anotações – elas são feitas em várias cores de caneta, o que corresponde a épocas diferentes. E com essa narrativa nada linear, é difícil tirar conclusões pontuais, já que a dedução do leitor é altamente testada.

Também é preciso reforçar o capricho com que o livro foi produzido: as anotações nas margens das páginas parecem ter sido escritas de verdade em cada exemplar e os anexos são de um primor impressionante, o que dá ainda mais veracidade à louca história da obra de J. J. Abrams e Doug Dorst. Com toques de romance e, ao mesmo tempo, regado a teorias da conspiração, S. merece todo o crédito pela ideia do “metalivro”: a história dentro da história e a mistura de ficção e realidade dentro da trama.

Título original: S.
Editora: Intrínseca
Autores: J. J. Abrams (idealizador) e Doug Dorst (autor)
Ano: 2013
Páginas:
472
Tempo de leitura: 5 dias (O Navio de Teseu) e 3 dias (S.)
Avaliação: 3 estrelas

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21 pensamentos sobre “Resenha de S. – J. J. Abrams e Doug Dorst

    1. Hahaha, olha, eu acho que esperava mais ou esperava gostar mais. Mas, como já disse, é uma experiência que eu acho que vale ter como leitor! E corre pra comprar porque a tiragem é super limitada e acho que a Intrínseca não fara mais!

  1. Estou lendo há alguns dias e estou adorando. Mas derrubei o livro sem querer e não tenho certeza de o que fica onde. Será que você poderia me fazer o imenso favor de indicar as páginas? Nao sei se perdi algo, essa é a lista do que eu tenho:

    Carta ao Sr. Grahn
    Lista de acusações de VMS
    Cópia da revista de história e humanidades…
    The daily Pronghorn
    Foto de uma parede com o S
    Cópia do jornal Lampa
    Bilhete de Desjardins a Hursh
    Carta de Jen a Eric falando sobre seu desaparecimento
    Postal de 12 de abril
    Postal de 15 de abril
    Postal de 18 de abril
    Postal de 19 de abril
    Postal de 20 de abril
    Carta “Então… meu tio Zeke (…)”
    Foto antiga de uma mulher
    Cartão de macaco com obituário
    Guardanapo com mapa
    Cartão de homem e falcão (?)
    Carta “parece estranho (…)”
    Carta de Ermelinda Pega
    Telegramas de Valparaíso e de Bagdá
    Disco com latitudes e longitudes

    Agradeço imensamente se puder me ajudar.

    Obrigado!

    1. Oi Márcio, segue a ordem que estão os meus anexos:
      Carta ao sr. Graham – entre VI e VII
      Lista de acusações – entre 10 e 11
      Cópia da revista – entre 20 e 21
      The Daily Pronghorn – entre 32 e 33
      Telegram – entre 54 e 54
      Cópia do Lampa – entre 68 e 69
      Bilhete de Desjardins – entre 86 e 87
      Carta de Jen – entre 100 e 101
      Postal 12/04 – entre 112 e 113
      Foto do S na parede – entre 130 e 131
      Postal de 15/04 – entre 178 e 179
      Postal de 18/04 – entre 190 e 191
      Postal de 19/04 – entre 192 e 193
      Postal de 20/04 – entre 200 e 201
      Carta do Eric – 203
      Foto antiga – entre 242 e 243
      Cartão do macaco – entre 254 e 255
      Mapa – entre 306 e 307
      Cartão falcão – entre 360 e 361
      Carta de Jen – entre 376 e 377
      Carta de Pega – entre 416 e 417
      Disco – no final de tudo

      espero ter ajudado!

      1. Ajudou muito Nádia! Como eu suspeitava algumas coisas estavam fora de lugar mesmo. Muitíssimo obrigado!

  2. Oi Nadia!
    Comecei a ler o Navio de Teseu junto com as anotações e fiquei confuso. Acho que vou tentar a tática de ler anotações no final do capítulo pq esperar pra ler todo o livro e as anotações só no fim é muita tortura hehe
    Achei a ideia genial, vamos ver o que me espera! 😜

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