Resenha de Sonhos Partidos – M. O. Walsh

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Baton Rouge, uma pequena cidade de Luisiana, nos Estados Unidos, oferece uma vida pacata e segura aos moradores, até que, durante o verão de 1989, Lindy Simpson, de 15 anos, é vítima de um estupro a poucas quadras de sua própria casa. Apesar do engajamento da família em descobrir quem foi o responsável pela atrocidade, a identidade do criminoso nunca é descoberta, embora existam alguns suspeitos. E é exatamente sob o ponto de vista de um deles que conhecemos o restante da história, enquanto tentamos descobrir se ele é ou não o culpado pelo estupro de Lindy Simpson.

Ainda estou para conhecer uma pessoa que não se torne um completo estranho para si mesmo quando se trata de amor.

Lindy era a típica garota popular: bonita, atlética e carismática. Então não é surpresa que nosso narrador e possível estuprador, que faz parte do círculo de amizades da garota, seja apaixonado – ou seria obcecado? – por ela. Filho de pais separados, ele tem duas irmãs mais velhas, mas vive apenas com a mãe, que ainda tem sentimentos pelo ex-marido. A relação do protagonista com o pai é delicada, mas não chega a ser conturbada. Ao longo da história, novos acontecimentos moldam o personagem, que manipula o leitor o tempo todo em relação à verdade sobre a fatídica noite do verão de 1989.

Você vai amar quem você ama. Tomar cuidado não resolve nada.

Assim que soube que Sonhos Partidos se tratava de uma história sobre abuso sexual, me interessei, porque gosto de saber um pouco mais sobre como funciona o cérebro humano após acontecimentos do tipo. E, sob esse aspecto, posso dizer que a obra de M. O. Walsh atendeu às minhas expectativas: apesar de não ser narrada por Lindy, a história é recontada por uma pessoa que a observava até demais e que, por isso, é capaz de traçar as grandes mudanças pelas quais a garota passou após o estupro.

[…] a vida é feita, cada vez mais, daquilo que você não pode mudar.

No entanto, devo confessar que, embora seja um livro relativamente curto e de leitura rápida, Sonhos Partidos ameaça perder o ritmo em alguns momentos, com informações que, na minha opinião, são irrelevantes para a história. E antes de fazer mais uma crítica ao livro, preciso admitir também a minha parcela de “culpa”: quando percebi que a história era narrada por um dos suspeitos, imaginei algo mais parecido com um thriller. E, para a minha decepção, embora o suspense exista e só seja desvendado no final do livro, a trama definitivamente não é sobre quem cometeu o crime.

Com uma narrativa honesta e muitas vezes brutal, Sonhos Partidos fala sobre culpa, perda, obsessão, memórias, amor e dor. Fala sobre como é desafiador crescer e envelhecer, enfrentar e, com sorte, superar os obstáculos. E, acima de tudo, nos mostra as tristezas do mundo, que não existem apenas em atos de violência e injustiças, mas também – e talvez principalmente – na forma como todos, sem exceção, têm em algum momento da vida seus sonhos partidos – e muitas vezes, para sempre.

Título original: My Sunshine Away
Editora: Intrínseca
Autor: M. O. Walsh
Ano: 2015
Páginas: 254
Tempo de leitura: 5 dias
Avaliação: 3 estrelas

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