Eles recomendam!

Agosto voou e cá estamos com as recomendações para setembro! Como sempre, conto com a colaboração das minhas fiéis escudeiras Ana, Angela, Karina, Priscila e Rafaela, além da minha convidada especial, que, neste mês, é a querida Bruna Aguiar, do blog Chez B.! Das indicações das meninas, só li – e reforço a recomendação – Nós, do David Nicholls, e sempre curti a capa de A Verdade Sobre o Caso de Harry Quebert, mas nunca havia parado para ler a sinopse. Bom, vamos ao que interessa!

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Ana Carolina Perricone – NósDavid Nicholls
Nós
vai além da história de um casamento em crise e traz reflexões importantes sobre coragem, compaixão e amor – no caso – o amor de casal. Algumas questões há muito me intrigam e martelaram em minha cabeça durante a leitura: há como amar o companheiro e a relação construída sem excluir a possibilidade de amar o companheiro e não amar mais essa relação? E ainda: amar a relação e não amar mais o companheiro? Talvez estejamos condicionados a acreditar que um amor está restrito ao outro ou, por vezes, falta força para aceitarmos quando algo não está funcionando mais. O livro aborda o tema de maneira suave e do ponto de vista do marido. Encarei isso como estratégia para compreendermos, aos poucos, que era só Douglas que ainda estava na relação. Acho possível e válido separarmos sentimentos e compreendermos que relacionamentos e indivíduos são delicados e complexos demais para generalizações.

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Angela DiasOuro, Chris Cleave
Iniciar uma leitura sem esperar nada dela é bom. Ser surpreendida por ela exceder expectativas que não existiam é melhor ainda. Confuso? Um pouco. Não consigo expressar de outra forma a minha experiência ao ler Ouro, de Chris Cleave. O autor é conhecido pelo sucesso do seu livro Pequena Abelha, que ainda não li. Chega até a ser um fato curioso sobre mim nos últimos anos: quase nunca leio o livro mais famoso de um autor que tenha mais de um livro “novo” da minha coleção, sempre começo por um não considerado “o melhor”. Essa é a minha história com David Nicholls, que até agora não consigo amar e ainda não li o Um Dia para saber se vai rolar a química, que até agora não rolou (risos). O autor (Chris) também possui um fato curioso: em seus livros não há sinopse sobre a história de fato. Fala-se sim do que se trata mas, não dá margem para interpretações. Confuso ainda? Acho que sim (risos), mas só vendo para entender. Ouro fala sobre sacrifícios: o que estamos dispostos a sacrificar por aqueles que amamos? O quanto abrimos mão de nossos sonhos, metas e futuro para fazer com que outra pessoa seja feliz dentro de suas particularidades? A história se baseia na vida de duas amigas, uma amizade que iniciou-se um tanto conturbada em um local de pura rivalidade: nos esportes (ciclismo, para ser mais precisa). Acompanhar a história e a rotina de Kate e Zoe dentro do esporte e da vida me fez entender muito a rotina do atleta fora das competições: só sabemos da existência de um atleta se ele se mantém em glamour de conquistas e somente durante olimpíadas, campeonatos e etc., e o depois? Ninguém sabe do depois e ninguém se interessa pelo depois e acredito que isso afeta muito a vida dos atletas. A forma como a história de Kate e Zoe caminha me fez ter mais compaixão pelos esportes e pelas “pessoas” dos esportes. Me fez enxergar que por mais que pareçam somente “feitas e treinadas” para as competições, elas são seres humanos por trás de toda a “lycra” dos uniformes (no caso) e que em seu peito não há somente o peso da medalha, há o peso de sentimentos. É um livro muito bom. Gostei muito e gostaria de que todos que lessem tivessem o mesmo prazer de ler que eu tive.

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Karina Queroz – Is everyone hanging out without me?Mindy Kaling
Talvez vocês já tenham ouvido o nome da Mindy por aí. Ela é uma comediante americana e tem sua própria série: The Mindy Project. Além disso, atuou e foi roteirista do The Office. Em Is everyone hanging out without me?, Mindy nos conta sobre sua vida e carreira com todo o bom humor que ela tem a oferecer. Ela consegue fazer piada com tudo, inclusive com ela mesma. O melhor é que Mindy não se esforça para isso, você percebe que fazer piada é parte de quem ela é, é natural. Sendo assim, o livro é cheio de tiradas engraçadíssimas e com as quais a gente se identifica, afinal a Mindy é gente como a gente, super autêntica e humilde. Para quem curte The Office, tem um capítulo inteiro falando da série e como foi a empreitada da Mindy até chegar lá. Is everyone hanging out without me? é um livro super fluido e ótimo para passar o tempo, se divertir, rir de verdade e ainda refletir sobre nossas escolhas na vida.

Priscila BritoAtonement (Reparação), Ian McEwan
Nós cometemos muitos erros ao longo da vida. Quando pensamos neles, geralmente nos referimos aos erros de julgamento, falta de iniciativa para tomar decisões, entre outros. Há também aquelas besteirinhas que fazemos quando crianças e que o tempo apaga por muitos anos, mas que às vezes voltam à nossa mente do nada e nos fazem até sorrir. Em Atonement, acompanhamos um desses erros cometidos na infância e as suas consequências pelas décadas seguintes. A obra de Ian McEwan explora as motivações infantis de um ato que se estende por muitos anos e resulta na mudança radical da vida de diversas pessoas, além da forma como as pessoas prejudicadas reagem a ele. O autor não julga a personagem principal, que vive em um estado constante de culpa e vontade de expiar o seu pecado (daí o título do livro em português, Reparação), e o que realmente nos absorve neste livro é a riqueza com a qual diversos microassuntos são abordados no meio do caos, como a guerra e a arte de escrever. São justamente essas mudanças de foco que indicam o que já sabemos: que a vida sempre continua, e que se o que fizemos no passado, com ou sem intenção de ferir, não pode mais ser desfeito, talvez haja alguma possibilidade de amenizar tudo. Ou de pelo menos fazer a vida valer a pena ser vivida, de qualquer forma.

Rafaela Gomes – Americanah, Chimamanda Ngozi Adichie
Poderia falar que Americanah é apenas mais um livro que aborda o racismo. Sim, poderia. Mas Americanah é muito mais do que apenas mais um livro. Nele vamos acompanhar a jovem Ifemelu, uma blogueira nigeriana que irá retratar sua experiência nos EUA e também o seu retorno para sua cidade natal, Lagos. O romance inicia mostrando um panorama da família de Ifemelu e a sociedade em que vivem. Somos apresentados também a Obinze, o jovem com quem Ifemelu teve um relacionamento na juventude e com quem irá partilhar a narrativa do livro. Misturando o passado com o presente, assim como alguns posts do blog da protagonista, Chimamanda irá abordar temas como racismo, noção de sujeito, feminismo e muitos outros, mostrando a capacidade de falar sobre diversos tópicos de maneira simples, sem ser pedante. Assim, vemos a habilidade que Chimamanda teve de colocar a história de amor como pano de fundo do que realmente importa no enredo. E não se assuste com a quantidade de páginas, garanto que a escrita é tão boa que você sequer percebe. E aqui vai mais um motivo pelo qual você deveria dar uma chance para esse livro: ele vai te tirar da sua zona de conforto, que basicamente sempre são os livros de autores norte americano ou europeu. Dê uma chance para uma obra africana, vamos nos permitir :D

CONVIDADA ESPECIAL :)
Conheci a Bru lá em 2010, quando nós duas tínhamos blogs sobre moda e beleza. Demos um tempo na vida de blogueira, mas, como nos adicionamos nas redes sociais, sempre mantivemos o contato de alguma forma. Há algum tempo, voltamos à blogosfera e a Bru é uma super parceira, recomendando o Além do Livro sempre que possível lá no Chez B., que, aliás, é incrível e vale a visita!

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Bruna Aguiar – A Verdade Sobre o Caso Harry QuebertJoël Dicker
Comprei A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert de presente para o meu marido, já que se trata de um suspense policial, gênero que ele adora e eu nem tanto. Porém, após devorar o livro freneticamente, ele fez coro com mais duas amigas minhas, na insistência de que eu deveria lê-lo a todo custo! Meio contrariada, mas muito curiosa, encarei a leitura e… amei! O livro conta a história do grande escritor Marcus Goldman que, num período de bloqueio criativo, sai de Nova York rumo à Aurora, uma pequena e pacata cidade no interior de New Hampshire, onde vive seu amigo e mestre Harry Quebert. Lá, descobre que 33 anos antes, o admirado Harry, aos 34 anos, relacionou-se secretamente com Nola, uma garota de 15 anos. Naquele período, Nola desapareceu sem deixar rastros. Entretanto, seus restos mortais são encontrados enterrados no jardim de Harry, motivo pelo qual ele passa a ser acusado de assassinato. Intrigado, Marcus inicia uma grande investigação sobre o caso, a fim de desvendar o grande mistério sobre o assassinato da jovem. Com enredo fácil e fluido, A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert é daqueles livros que nos prendem do começo ao fim, instigando o leitor desde os primeiros capítulos e mantendo o ritmo até o surpreendente final. Super indico!

Super me interessei por Ouro e já coloquei A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert na wishlist. E vocês?

Mais recomendações aqui :)

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14 pensamentos sobre “Eles recomendam!

  1. Oi, Ná!

    Bom dessa lista aí, o único que eu já tinha interesse é o Americanah. A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert eu já tinha visto por aí, mas fico meio assim com livros policiais, então não sei bem se eu gostaria.
    Reparação eu já tentei, mas não consegui chegar ao final. =/

    1. Eu adoro livros policiais, então super me interessei por A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert, porque eu realmente nunca soube sobre o que era. O Americanah eu tenho vontade de ler, mas é um daqueles livros que tem que estar no clima, sabe? Quem sabe em breve? E Reparação, eu também tentei, mas não passei da página 10. De novo, quem sabe um dia? Haha!
      Beijos

  2. Oii, Ná! Fiquei muito contente em ser convidada pra participar dessa tag no teu blog, que tanto adoro e admiro! Obrigada pela confiança! hahaha Espero que tu leias e goste de A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert e teus leitores também. Eu adorei <3 Beijãoo

  3. Yaaaay! Estamos aqui de novo :D

    Ouro e Nós já estavam na minha lista mental, preciso ler logo um dos dois! Americanah é sensacional mesmo, uma das melhores leituras do ano, super recomendo também <3

    (lembrando que você tem Atonement aí na sua casa…hahahaha!)

    Beijos!!

    1. :D
      Não sabia que queria ler Ouro! E recomendo que leia Nós antes de Um Dia, porque Um Dia é imbatível, haha! Americanah eu sinto que lerei um dia, mas tem que ser o momento certo. E Atonement… hehehe

      Beijos

  4. Estou lendo Ouro, de Chris Cleave, e procurei por mais informações sobre a obra. Caí aqui (rsrs). Gostei do seu texto (pena que é sucinto) e concordo que vale a pena ser lido e admirado!

    Parabéns pelo blog.

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