Resenha de Romeu e Julieta – William Shakespeare

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Como todo mundo sabe a história de Romeu e Julieta, vou dispensar a sinopse desta vez – senão, vou me sentir, no mínimo, redundante – e partir direto ao que interessa. Eu nunca havia pensado se queria ou não ler a obra de William Shakespeare porque acho que estamos todos tão acostumados a falar e ouvir sobre ela que parece que todo mundo já leu por osmose. No entanto, uma das categorias do Desafio de Leitura que estou seguindo é ler uma peça e, quando achei o livro (que é pequeno e perfeito para o meu outro projeto de leitura) dando sopa em casa, pensei “por que não?”.

Para começar, devo dizer que Romeu e Julieta é diferente de tudo o que eu já havia lido – formato, narrativa, linguagem, desenvolvimento, etc. – e também diferente do que eu havia imaginado. Na minha cabeça, a história seria mais estendida e cheia de conflitos e, na verdade, não é bem assim: a trama de Shakespeare é muito mais simples e superficial do que eu esperava, o que não é algo ruim, apenas surpreendente.

Se o amor é cego, não pode acertar o alvo.

Sempre que leio obras antigas ou que retratam épocas passadas, me “divirto” com a diferença entre os valores e comportamentos sociais, quando comparados com os dias de hoje. E com Romeu e Julieta não foi diferente. No entanto, apesar de ser uma realidade muito distante da atual – afinal, a obra foi publicada em 1597 -, dá para entender por que a história de Shakespeare, apesar de “superficial”, foi, é e sempre será um clássico tão marcante e, de certa forma, atemporal: em uma época em que os casamentos eram muito mais negócios do que amor, imagina quão inovadora e revolucionária foi uma trama que mostrava o sentimento real – ainda que doentio e exagerado, convenhamos – entre duas pessoas vindas de famílias rivais?

Por que será que o amor, sendo tão terno na aparência, se torna tirano e cruel quando se experimenta?

Por ser a primeira grande obra de romance, Romeu e Julieta foi inspiração clara para inúmeras histórias ao longo dos anos, principalmente por conta do caso de amor avassalador e proibido. E, durante a leitura, foi impossível para mim não relacionar a trama aos chick lits porque, apesar de serem épocas, comportamentos, relações e valores completamente diferentes, as obras do gênero têm as mesmas premissas, ainda que os estilos de narrativa e desenvolvimento sejam totalmente distintos: tudo é construído a partir de uma história de amor, que muitas vezes é irreal e/ou exagerada e que pode ser proibida ou não, regada a dilemas morais, ruídos na comunicação e milhares de encontros e desencontros – a grande diferença é que os chick lits costumam ter final feliz.

Romeu e Julieta é visto como uma grande história de amor. E é claro que é. Mas, no final das contas, é também sobre poder e opressão – seja por parte das famílias e suas diferenças ou do amor. Pode-se falar o que quiser sobre a obra de William Shakespeare, mas sua importância para a literatura é imensurável e determinante, se não pela história em si, por tudo o que inspirou a ser criado. A verdadeira definição do tragicômico, uma sucessão de erros e desencontros.

Título original: Romeu and Juliet
Autor: William Shakespeare
Ano: 1597
Páginas: 96
Tempo de leitura: 1 dia
Avaliação: 3 estrelas

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5 thoughts on “Resenha de Romeu e Julieta – William Shakespeare

  1. Bom, eu ainda não li… Mas vc vai me emprestar e em breve terei lido.
    Não sei o que esperar e o que me dá mais “medo” é a linguagem.
    Fico feliz em saber que é curtinha, pois acho que não teria muita paciência tbm e só vou ler pelo desafio, senão fosse por isso, acho q nunca passaria pela minha cabeça essa leitura.

  2. Ainda acho incrível como as pessoas hoje conseguem se relacionar de forma ‘romântica’ à peça, que de romântica não tem absolutamente nada. Como você acertadamente notou, o caráter transgressor de uma relação entre duas pessoas que “jamais deveriam ficar juntas” e as consequências que encaramos ao desafiar convenções é que são os verdadeiros destaques da peça, mas que ficam apagados porque não foi com eles, exatamente, que o público se identificou – é aquela coisa de almejarmos algo, mas quando soltamos a obra, ela não nos pertence mais e…é o que o público quer. É claro que, há 500 anos atrás, o conceito de “se apaixonar” era completamente diferente, e o amor surgia de forma instantânea, e era o que impulsionava os sentimentos que viriam a seguir, como confiança, carinho, identificação, respeito, etc. Hoje, é o contrário, o amor é o resultado de uma série de “exigências”, que quando unificadas, tornam-se esse sentimento maior e ===absoluto===. Mas de fato, é uma obra icônica de forma indiscutível e fico feliz que tenha lido ^-^ muito legal o paralelo entre chick lits hahaha! Tudo pode ser relacionado, e muitas vezes a gente nem imagina o quanto as coisas se assemelham.

    Beijo!!!

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