Resenha de A Nova República – Lionel Shriver

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De garoto gordo e discriminado durante a adolescência, Edgar Kellog se tornou um advogado bem-sucedido. Mas, inspirado pelo sucesso de Toby Falconer como jornalista, resolveu se aventurar na mesma área do popular colega de escola e “ídolo”. Após escrever artigos para diversas publicações menores, Edgar é escalado para substituir o repórter desaparecido Barrington Saddler e cobrir as atividades terroristas das região fictícia de Barba, em Portugal. Ao chegar à cidade e conhecer os colegas jornalistas, Edgar não vê a hora de ser admirado por seu trabalho, mas descobre que o espírito de Saddler irá, literalmente, assombrá-lo em todos os momentos.

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Se em Precisamos falar sobre o Kevin, Lionel Shriver mostra o lado de Eva Katchadourian, a mãe dividida entre o filho responsável por um massacre escolar e a sociedade, e, ainda assim, é capaz de humanizar o assassino, em A Nova República, a autora nos faz refletir sobre a legitimidade dos interesses dos grupos terroristas. Aliás, a capacidade de levar o leitor a considerar outros pontos de vista sobre questões polêmicas ou inquietantes é, provavelmente, o maior trunfo de Lionel e também a grande sacada de A Nova República.

Acho que ser um adulto fetichizado deve ser extremamente decepcionante.

Se você for atraente, as pessoas precisarão de um motivo para não gostarem de você; se for feio, precisarão de uma razão para gostar.

Com a história de Edgar, Lionel discorre sobre o culto à personalidade e não apenas faz uma análise sobre o magnetismo que cerca as pessoas populares, como também nos faz pensar sobre a responsabilidade que lhes é imposta “em troca” da admiração praticamente inabalável. E, com certeza, não por acaso, a autora foi certeira quando escolheu o jornalismo como o “pano de fundo” para retratar essa relação entre “ídolo e fãs”, já que o ego dos jornalistas é, muitas vezes, maior do que eles próprios jamais serão.

O sujeito gasta a maior parte do tempo tentando febrilmente recriar a própria lenda. Em consequência disso, imita a si mesmo, e mal. Vira seu próprio simulacro.

Quem me acompanha aqui no blog e no Instagram sabe que sou muito fã da Lionel Shriver. E, por isso, é com dor no coração que digo que A Nova República não chega nem aos pés dos outros livros da autora. Não é uma obra ruim, mas, na minha opinião, é arrastada e não prioriza uma das principais – e a minha favorita – marcas de Lionel, que é a capacidade de dissecar os sentimentos mais profundos e, muitas vezes, proibidos do ser humano.

Por outro lado, com a história de Edgar Kellog, a autora mostra também que é capaz de desenvolver uma trama com doses de fantasia, mas puramente política, viés de que já dá amostras nos outros livros, irônica como poucas e temperada com humor inteligente. No entanto, se há algo que A Nova República tem em comum com todas as outras obras que li de Lionel é o objetivo de evidências que toda e qualquer escolha traz responsabilidades e consequências, muitas vezes irreversíveis.

Título original: The New Republic
Editora: Intrínseca
Autor: Lionel Shriver
Ano: 2012
Páginas: 384
Tempo de leitura: 4 dias
Avaliação: 3 estrelas

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