Fahrenheit 451 – Ray Bradbury

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Se antigamente os bombeiros tinham como tarefa apagar incêndios, na sociedade distópica de Fahrenheit 451, em que a literatura é vista como uma ameaça, é exatamente o oposto: os profissionais têm a responsabilidade de manter a ordem do sistema, queimando os livros e até mesmo as casas onde estão. Guy Montag é um desses bombeiros e faz seu trabalho de forma automática. No entanto, após conhecer sua vizinha Clarisse, que gosta de refletir sobre o mundo, Montag se sente encorajado a fazer o mesmo, o que coloca sua profissão e sua vida em risco.

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Assim como Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, Fahrenheit 451 me assustou por, lá em 1953, ter “previsto”a história. Ou, em uma visão mais pessimista e provavelmente mais realista, por mostrar que muitos problemas políticos e sociais atuais já existiam há mais de 50 anos. Na maioria do tempo, os personagens criados por Ray Bradbury interagem com as “famílias”, que nada mais são do que grandes telas instaladas nas paredes dos cômodos. Mera semelhança com a nossa relação atual com a internet e tudo o que ela oferece?

Se não quiser um homem politicamente infeliz, não lhe dê os dois lados de uma questão para resolver.

Fahrenheit 451 critica os governos totalitários e a censura, mas aborda principalmente o comportamento da sociedade, que é dominada pela preocupação excessiva com a imagem, pela superficialidade generalizada e pela alienação. Se esses já eram pontos a serem discutidos em 1953, não é surpresa que a situação esteja da forma que está em 2014. No entanto, a obra de Ray Bradbury é também, e acima de tudo, uma declaração de amor à literatura e às reflexões e mudanças que ela é capaz de provocar. Porque os livros podem não mudar o mundo, mas definitivamente têm o poder de transformar a forma como o enxergamos.

Título original: Fahrenheit 451
Editora: Biblioteca Azul
Autor: Ray Bradbury
Ano: 1953
Páginas: 215
Tempo de leitura: 4 dias
Avaliação: 4 estrelas

*A título de curiosidade, a obra de Ray Bradbury foi batizada Fahrenheit 451 em referência à temperatura em que o papel é queimado. 

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