Resenha de A garota que você deixou para trás – Jojo Moyes

Édouard e Sophie Lefèvre viviam uma história de amor perfeita em Paris, na França, até a Primeira Guerra Mundial estourar e Édouard ser convocado para lutar no front. Sozinha, Sophie retornou à St. Péronne para ficar com a irmã, o irmão e os sobrinhos e, sem notícias constantes do marido, usava o retrato que ele pintara dela para amenizar a saudade e a angústia. Em 1917, durante a ocupação da França por parte da Alemanha, Sophie foi escalada para servir o jantar para os alemães diariamente e o que poderia ter sido a chance de manter a fome longe de sua família acabou se transformando em armadilha: o Kommandant se apaixonou pelo retrato de Sophie e ela pensou que essa admiração pudesse salvar o seu marido da guerra.

Quase um século depois, em 2006, Liv Halston, viúva há quatro anos, não dá sinais de que irá superar a perda tão cedo. Ela tem sérios problemas financeiros, mas ainda mora na luxuosa casa de vidro que foi projetada por seu marido, David, porque sente que seria uma traição vendê-la. Liv também é obcecada pelo quadro chamado A garota que você deixou para trás, que ganhou do marido durante a lua de mel e que se tornou praticamente sua única companhia nos últimos anos. No entanto, quando conhece Paul, ela percebe que é capaz de, enfim, sair do luto e dar uma nova chance à própria vida. Mas quando descobre que, por uma peça do destino, Paul está trabalhando em um caso que pode tirar A garota que você deixou para trás de suas mãos, Liv é tomada por um sentimento cego de vingança e mergulha em uma batalha que pode custar caro em todos os sentidos.

Jojo Moyes inicia A garota que você deixou para trás com a história de Sophie e a interrompe em um ponto crucial para contar a trajetória de Liv. No começo, não fica muito claro de que forma as duas personagens, de épocas tão diferentes, estão conectadas, mas, aos poucos, os fatos se associam e tudo começa a fazer sentido. A história de Sophie é narrada em primeira pessoa, enquanto a de Liv é em terceira. O recurso permite que o leitor se envolva completamente com a primeira personagem e suas tragédias pessoais, ao mesmo tempo em que mergulha nos mais profundos pensamentos e sentimentos da segunda.

– O que isso ensina à gente, Sr. McCafferty, é que na vida há coisas muito mais importantes do que vencer.

Após o final da primeira parte, narrada por Sophie, o livro fica um pouco confuso com a inserção de diversos personagens e a alternância entre uma história e outra. Em alguns momentos, a mudança de épocas e personagens é tão abrupta que é preciso um pouco mais de paciência e atenção para absorver todos os detalhes. No entanto, não é algo que comprometa a leitura. Além disso, a falta de ritmo do início é compensada da metade para o final do livro, com revelações sobre o que realmente aconteceu com Sophie e as reviravoltas do processo que envolve o quadro.

A garota que você deixou para trás tem características que parecem ser típicas de Jojo Moyes e as semelhanças com A Última Carta de Amor não deixam mentir: uma história de amor intensa, os acontecimentos trágicos, o contexto de guerra, as cartas e a conexão entre duas mulheres de diferentes épocas são alguns dos ingredientes do livro. Já de Como eu era antes de você, Jojo traz os dilemas que o amor pode causar e escolhas que às vezes precisamos fazer. A garota que você deixou para trás não é um livro incrível, tampouco o melhor da autora, mas é uma leitura rica, agradável e, de certa forma, inspiradora.

Título original: The girl you left behind
Editora: Intrínseca
Autor: Jojo Moyes
Publicação original: 2012

7 comments

  1. […] Em A garota que você deixou para trás, Jojo nos leva a Paris. A capital francesa é mais um destino pelo qual sou apaixonada antes mesmo de conhecer – graças a Anna e o Beijo Francês. No entanto, no romance da autora, todo o brilho da Cidade Luz é encoberto pela poeira da Primeira Guerra Mundial, que é o pano de fundo da história. Por isso, é impossível apreciar Paris em todo o seu esplendor, mas vale a pena pela contextualização história que Jojo criou. […]

  2. […] A garota que você deixou para trás me fez ter certeza que Jojo realmente gosta desse tipo de estrutura. No livro, ela mesclas as histórias de Sophie, que se passa durante a Primeira Guerra Mundial, e de Liv, quase 100 anos depois. As duas estão conectadas pelo quadro, cujo nome dá título ao livro, em uma trama original e muitíssimo bem amarrada. Assim como em A Última Carta de Amor, A garota que você deixou para trás mostra que Jojo não se preocupou apenas em criar romances intensos e reviravoltas. As histórias são muito bem contextualizadas social e politicamente, o que, inclusive, tem certa influência sobre os enredos. […]

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