Será que superestimamos o John Green?

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A minha história com o John Green começou como a da maioria das pessoas: com a leitura de A Culpa é das Estrelas. E, assim como quase todo mundo, fiquei encantada com Hazel e Gus. Mas o que realmente me cativou nesta obra do John não foi o romance em si e, sim, a sinceridade com que ele tratou o assunto, tão delicado e doloroso, o que livrou a história do clichê e transformou-a em algo sensível e, ao mesmo tempo, divertido. Para mim, A Culpa é das Estrelas não é triste ou uma simples história de amor interrompido. É uma inspiração para fazer a vida valer a pena (não importa qual seja o tamanho do seu infinito), é conforto, é redenção

Embalada pelo sucesso de A Culpa é das Estrelas, li O Teorema Katherine com as meninas do grupo de leitura do Facebook e a maioria reclamou da falta de ritmo. Na época, eu ressaltei que valorizava muito o fato de o John conseguir transformar causos do cotidiano em história, o que eu acho que é o caso de O Teorema Katherine. E continuo achando isso. Porém, hoje, passada a euforia, consigo ver que, talvez, falte mesmo um pouco de ritmo e acontecimentos determinantes no livro em questão. De qualquer forma, ainda acho o máximo os anagramas criados por Colin e respeito muito a tradução perfeita.

Em seguida, veio Will Grayson, Will Grayson (Will & Will), que John assina com David Levithan e que tirou qualquer desânimo que O Teorema Katherine possa ter deixado. Mais uma vez, ele abordou um tema delicado, a homossexualidade, ainda mais na adolescência, de forma natural e livre de preconceitos. A narrativa alternada entre John e Levithan é inovadora, dinâmica e divertida. Os personagens são profundos, têm muito a ensinar o leitor e proporcionam uma moral da história incrível.

Aí veio Quem é você, Alasca?, um dos meus livros preferidos da vida. Me identifiquei completamente com a história de Alasca Young. Não por ter passado pelas mesmas coisas que ela ou por querer ou ser capaz de fazer o que ela fez. Mas porque consigo entender a complexidade do que ela sentia. Alguns amigos leram e gostaram do livro, mas me disseram que não entenderam ou ficaram chocados com a história. No entanto, acredito que, no caso, o problema não seja a falta de ritmo ou de acontecimentos. É apenas uma questão de identificação. Como eu disse, gostei muito de Quem é você, Alasca?, mas não o indicaria para todo mundo que eu conheço.

Super empolgada com o novo livro favorito, fui ler Cidades de Papel e, no começo, gostei bastante dos personagens principais, o Quentin e a Margo. Mas, dessa vez eu admito, sem meias palavras, que o livro perde o ritmo em alguns pontos e se torna cansativo. Apesar disso, a leitura valeu a pena pelo mistério (até demais) e pela moral da história. Tenho também o Let it snow (Deixe Nevar), que tem um conto do John, mas a leitura não me cativou e eu acabei não terminando.

Bem, fiz toda esta retrospectiva da minha história com o John Green porque tenho desconfiado que, no calor do momento, superestimamos o autor. Não quero dizer que, de repente, John Green virou um escritor ruim ou medíocre. De forma alguma. Ele é ótimo e o que A Culpa é das Estrelas e, principalmente, Quem é você, Alasca? causaram em mim não pode ser desconsiderado. Também não podemos esquecer que ele já tinha seus fãs fiéis (os nerdfighters) por conta do vlog que comanda ao lado do irmão e essa legião apenas cresceu e atingiu outras faixas etárias com o sucesso de seu best-seller.

No entanto, agora que o frisson em torno de A Culpa é das Estrelas passou, as pessoas estão começando a ler os outros livros do John, que não estão causando o mesmo efeito. Pelo menos, essa é a conclusão que tiro com base no que ouço de meus amigos e amigos de amigos. Continuo achando que o John é capaz de criar personagens tridimensionais e únicos, tramas divertidas e profundas e morais da história sensacionais. Mas a sensação que fica é que, talvez, John Green não seja um escritor tão democrático quanto pensamos. E isso não é defeito ou demérito, apenas questão de estilo. 

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12 pensamentos sobre “Será que superestimamos o John Green?

  1. O meu preferido do John Green é “Quem é você Alasca?” Foi o primeiro livro que li dele e me apaixonei! É simplesmente o melhor livro que ele já escreveu!
    Em seguida vem Will e Will outro livro super divertido com personagens muito bons e divertidos que te faz querer ler sem parar.
    E então começam os erros de John Green. Histórias pouco atrativas, com personagens fracos e com pouca personalidade. Muitas vezes vejo um monte de gente dizendo: Nossa “A culpa das estrelas” é lindo e blá blá blá. Concordo é um livro bom, mas existem vários livros sobre o assunto. Ele deveria voltar a focar no quesito originalidade, porque como leitora já cansei de livros óbvios e espero sempre ser surpreendida.

    1. O meu preferido também é Quem é você, Alasca? Ele é sensível, imprevisível e tem uma história de vida forte e cheia de lições. Gosto muito de A culpa é das estrelas também porque acho que também surpreende no desfecho e trata o assunto de uma forma diferente. Mas Cidades de Papel e O Teorema Katherine realmente deixam um pouco a desejar. E como a maioria já começa por A culpa, fica difícil se empolgar com estes depois.

  2. Aí Na, não me faça falar do meu querido John Green nesses termos!!!! Rs Concordo que os outros livros decepcionaram um pouco, já que criamos expectativas infinitas depois de ler A Culpa é das estrelas. Acho que este foi o seu ponto alto, pelo menos até agora…mas também não o considero, apesar disso, um escritor comum, ordinário. Acho seus livros engraçados e inteligentes, e me divertem bastante, ainda que n estejam a altura do nosso favorito. Continuo considerando-o um dos meus preferidos, pelos detalhes, pelos personagens, por não serem tds iguais, e contarem histórias diferentes, embora tenhamos detectado a intersecção entre os livros (que vc n colocou no post!). Enfim, minha conclusão é que talvez tenhamos considerado o John um 10, e depois vimos que n era td isso…mas pra mim, ainda é um 9! Rs

    1. Má, também não acho que ele seja comum e penso que ele é, sim, um dos melhores autores de YA. No início eu pensei que existiam esses pontos de intersecção e, claro que eles existem, mas hoje vejo mais como repetição/mania – embora, em alguns casos, sejam repetições/manias divertidas, inteligentes e marcantes. Precisei de um tempo para absorver tudo e formar uma opinião imparcial e, agora, acho que preciso de um novo livro pra realmente firmá-la. Continuo gostando dele e o considerando acima da média, mas acho que estou mais propensa a dizer que Alasca e A Culpa são obras que se destacam entre outros livros normais e não que ele é um escritor incrível. Sei que não é a mesma pegada, mas acho que a Emily Giffin é um bom exemplo de uma autora muito regular que sempre surpreende e agrada com seus livros. Ela, sim, tem esses pontos de intersecção, mas não dá a sensação de repetição.

      1. Ah, mas também vc quer comparar com a Emily! Eu n sei se os livros dela se encaixam na mesma categoria, acho que são mais abrangentes e coloca coisas muito diferentes em pauta, questões mais da vida adulta mesmo, e que envolvem o caráter e a bagagem de cada pessoa…são experiências bem diferentes! Mas, pra mim, é tipo Mc e Burger King sabe hahahahaha dois são bons e não substituem um ao outro, apesar do BK ser mais saboroso…(que gordinha né! Tem que por comida no meio!)

      2. Ah, os gêneros e as temáticas são diferentes, mas acho que é possível comparar a regularidade dos livros. Como eu disse, eu gostei muito de todos os livros da Emily, alguns mais, outros menos. Já do John, eu gostei muito de dois, gostei muito de outro e gostei pouco de outros dois. Ou seja, é muito inconstante, não dá pra prever se o próximo dele vai me agradar, ao passo que o próximo dela tem grandes chances de eu gostar. (e eu prefiro Mc sempre hahahahaha)

  3. Bom, até poderia ser considerada uma “nerdfighter”, mas meu interesse nos vlogbrothers é praticamente todo por causa do Hank Green, o irmão do John.
    Meu primeiro contato com os livros do John Green foi com Alaska e eu gostei. Não achei a coisa mais sensacional do mundo, mas gostei.
    Com The Fault in Our Stars eu realmente entendi o apelo e passei então para Paper Towns, que eu DETESTEI, e para Teorema, que eu achei A MAIOR BOBAGEM DO UNIVERSO.
    Tá bom que eu acho que já perdi a paciência para YA, mas gente, os personagens do John Green são todos iguais. É sempre um adolescente que é um pouco mais inteligente que a média, obcecado por algo diferente (últimas palavras, matemática, Margo, um livro) que se apaixona por alguém descolado (Gus, Margo, Alaska)… É TUDO IGUAL. Só acho que TFIOS sai um pouco disso pela temática, e por isso é o que eu mais gosto, mas mesmo assim…
    Fora os vícios que ele tem: notas de rodapé, enumeração de coisas, algumas frases…
    Eu meio que perdi a paciência.
    E perdi a paciência também para os vídeos dele quando o irmão discutia a situação na Síria, os altos custos da saúde nos Estados Unidos, novas iniciativas de negócios deles e o John Green não parava de falar do filme de TFIOS. Supera, querido. A gente já entendeu.
    Que mau humor o meu, né? Mas é. John Green é superestimado. E é superestimado porque os leitores dele não costumam ser leitores muito frequentes e nem muito ousados. São leitores de YA e ele é, realmente, um dos melhores que existem dentro do gênero…

    1. Eu assisti dois vídeos do John Green, então, definitivamente não sou uma nerdfighter, haha!
      Bom, como eu disse no texto, eu gostei muito de Alasca, mas mais por identificação do que qualquer outra coisa. A Culpa me ganhou porque é sincero, não é pedante, é surpreendente. Aí veio o resto que eu já contei no post. A questão é que o John foi muito fenômeno, o que acabou deixando as pessoas (eu inclusive) meio “iludidas”, sabe? E eu ainda leio bastante YA, então esse não é um fator que deveria ir contra os outros livros dele. Isso que você disse sobre as manias é totalmente verdade. O que sempre gostei nos livros dele é o fato de ser narrado pelo menino, o que é raro em YA. Ironicamente (ou não), A Culpa é o único narrado pela menina. Sobre os leitores dele, concordo, vejo muitas pessoas dizendo que “John Green é foda”, “John Green é meu favorito” e só leu A Culpa. Você pode amar, sim, um livro, mas não dá pra dizer que um autor é o melhor/seu preferido por isso. E aí, em seguida, dizem que “abandonaram Cidades de Papel”. É por essas e outras que eu cheguei a essa conclusão.

  4. Oii!
    Adorei esse seu post! E concordo muito com o que você disse, achei que ninguém além de mim pensasse assim.
    Eu li mais ou menos na mesma ordem que você, comecei por “A Culpa é das Estrelas”, depois “O Teorema Katherine”, “Quem é você, Alasca?” e, por último “Cidades de Papel”, e confesso que o único que realmente me cativou foi o primeiro!
    Odiei O Teorema Katherine e não gostei muito da história da Alasca (desculpa!), já o último eu gostei, mas também acho que ele perde um pouco o ritmo.
    A onda do John Green continua, mas percebi que as pessoas esperam que todos os livros sejam iguais ACEDE, o que não faz com que ele seja um péssimo autor, mas concordo que anda sendo superestimado.

    Adorei seu blog! Parabéns!!
    Beijos e até mais!
    http://www.meuqueridolivro,wordpress.com

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