Resenha de Sangue Quente – Isaac Marion

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R é um zumbi em crise existencial que, embora esteja tecnicamente morto e não consiga lembrar nem mesmo seu nome inteiro, carrega sonhos, arrependimentos e vontades. R vive em um aeroporto nos Estados Unidos destruídos por uma grande guerra e sua “vida” se resume a se alimentar de sangue e cérebro – uma das grandes razões para sua crise existencial – e o desejo de experimentar as sensações dos Vivos. No entanto, quando R conhece Julie, a namorada de uma de suas vítimas, tudo começa a mudar e, aos poucos, o sonho de ser mais Vivo do que Morto parece se tornar menos impossível. Mas será que, assim como a praga que transformou tantos em zumbis, esse novo fenômeno pode se espalhar? Com certeza, a resposta não depende apenas de R.

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Não sou fã de mortos-vivos, mas, quando assisti ao trailer de Meu Namorado é um Zumbi, a adaptação cinematográfica (com péssimo título, aliás) da obra de Isaac Marion, fui conquistada pela combinação entre romance, aventura e comédia. E, por isso, comecei a leitura já esperando algo repleto de boas sacadas, momentos de tensão e, claro, de amor. No entanto, embora todos esses ingredientes estejam presentes na história, ela se revelou muito mais do que isso.

Em Sangue Quente, somos convidados a adentrar a “vida” aparentemente vazia deste zumbi, mas é aí que está a graça. R não tem o que nos contar, mas o fato de estar sempre em busca de novos conhecimentos – mesmo que nem sempre consiga absorvê-los – permite que acompanhemos sua jornada de perto, descobrindo junto com ele suas novas sensações, lembranças, pensamentos, desejos, medos e sonhos. Como nós, Vivos, já sabemos como é sentir tudo isso, começamos a imaginar como é existir sem ter a chance de viver. E assim somos capazes de redescobrir e valorizar os pequenos prazeres em gargalhadas, conversas, lágrimas, memórias e tudo o que o simples pulsar do coração pode proporcionar.

A leitura de Sangue Quente é leve, mas exige atenção especial em alguns momentos, já que R tem flashbacks das vidas de suas vítimas. A história, apesar de totalmente fantasiosa, é convincente e envolvente. O desfecho, mesmo sendo previsto desde o início, deixa a sensação de que poderia ter sido mais trabalhado para se tornar um pouco mais surpreendente, mesmo dentro de sua obviedade. No entanto, não é nada que comprometa a obra.

Embora muitos estejam comparando Sangue Quente à Saga Crepúsculo, acredito que as semelhanças entre as histórias não passam do envolvimento entre zumbis/vampiros e humanos. Não li a obra de Stephenie Meyer e, por isso, não posso desenvolver muito essa questão, mas posso dizer que a obra de Isaac Marion vai além do romance entre R e Julie.

Sangue Quente é uma história sobre sonho, liberdade, esperança e tudo aquilo o que muitos já perderam há algum tempo. Mas é principalmente sobre os desejos que vão muito além do querer, mesmo em um mundo separado entre Mortos e Vivos. E a mensagem que fica é clara e indiscutível e se torna impossível não transportá-la ao mundo real: afinal, quantos de nós existimos sem, de fato, viver? Bem… a boa notícia é que uma simples paixão, uma novidade, um prazer ou até mesmo um desprazer são capazes de nos ressuscitar para as emoções e nos resgatar desse limbo entre o ser e o existir.

Título original: Warm Bodies
Editora: Leya
Autor: Isaac Marion
Volume seguinte: Warm Bodies #2 (lançamento previsto para 2014)
Ano: 2011
Páginas: 256
Tempo de leitura: 3 dias
Avaliação: 4 estrelas

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4 pensamentos sobre “Resenha de Sangue Quente – Isaac Marion

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