Muito além

2013-06-22 22.36.17-2

Eu nem sempre fui uma leitora ávida. Pelo contrário: dos livros que os professores mandaram ler durante os anos de escola, acho que dá para contar nos dedos de uma mão quais eu realmente li – e isso nem quer dizer que eu gostei. Por isso, sempre achei que ler nunca seria um hábito, tampouco um hobby.

Quando escolhi ser jornalista, pensei que pudesse, enfim, pegar gosto pela leitura – afinal, leria sobre o assunto que escolhi estudar e dizem que não há forma melhor de aprender a escrever do que lendo. No entanto, nada mudou e a história da escola se repetiu: nos quatro anos de faculdade, entre tantos livros e textos, apenas um realmente me encantou – A Sangue Frio, de Truman Capote. Mas isso foi em 2008, vamos voltar um pouco no tempo.

No final de 2005, meu primeiro ano de faculdade, fui com um amigo à livraria e, enquanto esperava por ele, me deparei com um livro rosa, com uma coroa e um par de coturnos estampados na capa. Era O Diário da Princesa, de Meg Cabot. Por impulso, comprei, porque achei bonito mesmo, mas, no fundo, eu achava que seria mais um na prateleira cheia de livros que nunca li. Me enganei. Em poucos dias, eu já havia lido O Diário da Princesa e comprado as cinco continuações. Em um mês, eu me transformei na leitora mais ávida que eu conhecia e fechei 2006 com 23 livros lidos.

Nem todos os anos seguintes foram tão produtivos assim, mas ler se tornou, indiscutivelmente, um dos meus melhores hábitos. Até 2011, me mantive fiel aos livros de chick lit, que carinhosamente apelidei de girlie books. Em 2012, porém, resolvi expandir meus horizontes e me aventurar com outros gêneros e autores. Resultado: apenas me apaixonei mais pelo mundo literário.

A verdade é que, quando se trata de leitura, sou 100% dona da minha própria vontade. Não leio uma obra apenas por ser clássica, não morro por best-sellers, nem por lançamentos. Nunca li Jane Austen, devorei John Green, sim, mas só li A Menina que Roubava Livros neste ano. E acho que é por isso que os livros não me conquistaram antes, durante os anos de escola, porque ler, pra mim, não é obrigação, é querer. Quando falo sobre essa paixão, é impossível não cair no clichê e dizer que ler é uma maneira de viver várias histórias e ser alguém além de mim. Mas todas elas acabam, de alguma forma, se voltando para o que eu sou e o que eu vivi. E, mesmo que isso seja de certa forma egocêntrico, é o que me faz gostar ou não de um livro.

E, por isso tudo, decidi fazer mais um blog. Mas, desta vez, para falar sobre uma das coisas que mais me inspiram nesta vida e, quem sabe, inspirar mais alguém.

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7 pensamentos sobre “Muito além

  1. Se o objetivo era inspirar alguém, você sabe que da minha parte já conseguiu. Se hoje eu leio – ainda de forma humilde – é por me sentir inspirada por tantos livros bons que lê, faz resenha e indica. Assim como você, deixei a escola e faculdade sem ler praticamente 10% do que devia, mas hoje, não sei mais como andar por aí sem um livro embaixo dos braços! =D

    Me sinto no direito de cobrar postagens, então mantenha atualizado hahahahahaha Beijo, beijo.

    1. Yay, fico feliz em saber. Eu disse que não queria mais blogs, mas, quando comecei a falar dos livros no Instagram e no Facebook, vi que as pessoas se interessavam e pensei que podia fazer algo útil com esse vício, além de, claro, me fazer feliz hahaha Obrigada pelo apoio sempre :D

  2. Estou formando em jornalismo também, e nesses anos todos, a Sangue frio foi o único livro que passaram de leitura obrigatória que eu realmente a li, e adorei. Houveram vários outros que li e gostei por indicações de professores, mas esses sempre chegarem no tete-a-tete e me falaram desses livros, tipo o “precisamos falar sobre kevin” e “infiel”.

    No colégio os professores até passaram coisas da editora Vagalume (coisa que todo mundo relembra com saudosismo e eu nem curto assim), e vou te falar que não lia direito, tinha preguiça. Eu só fui gostar mesmo de ler quando uma professora, na 7° série passou “depois daquela viagem”, li o livro numa noite e fiquei com uma sensação surreal de ter ficado até de madrugada lendo um LIVRO. Daí pra frente comecei a pesquisar e fui descobrindo os YA e viciei, além de ter descoberto Tolkien e livros tipo Eragon.

    De lá pra cá, cê sabe, estou a louca das leituras. E concordo em número, gênero e grau pela leitura ter que ser prazerosa, ler o que quer, e não pra cumprir um protocolo de hábitos de leitura. Acho chato que aponta com desdém pra minha estante que tem longas fileiras de YA e poucos clássicos. A leitura boa, de qualidade, é aquele que é agradável pra você, que te toca unicamente.

    Lendo o que se gosta, e lendo muito dele que você vai pulando de galho e galho e criando uma árvore gigantesca de gêneros de livros que vão te agradar e emocionar.

    1. Isso que você disse do desdém das pessoas para com os YAs é muito verdade! Claro que um YA nunca será tão profundo e denso como um livro sobre guerra ou um clássico, mas isso não o faz pior que os outros. E também é muito verdade isso que você disse sobre ir pulando de galho em galho. Comigo tem sido assim. Comecei com Meg Cabot e acabei indo por outros caminhos, que inclui best-sellers, clássicos, thrillers, etc., mas ainda tem Meg <3

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